| Gabriel, A Visita |
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O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus; eis que conceberás no teu ventre, e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus: este será grande, será chamado Filho do Altíssimo e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi (Lucas, 1, 30-32) |
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Vieste dizer que vinha o Sol e veio o galo cantar três vezes só para negar o Menino; viajaste nas nuvens para que chovesse e uma tempestade de pó cobriu plantas, casas e animais com um manto seco e sinistro; carregaste bênçãos em teu bornal e a serpente da maldição nelas se escondeu; deste conta de graças e a desgraça as acompanhou, à sorrelfa; contaste à Virgem que seu Bebê obraria maravilhas e Seus irmãos O executaram, de tocaia; trouxeste a boa nova de um Pai severo e a Mãe se derreteu em gozo e delícia, mas a desmancharam em pranto e cólicas. Ainda assim, o fogo que ateaste fez arder a sarça e alumiou a noite escura; e o amor que anunciaste deu rumo a um rebanho tresmalhado e civilizou uma raça de bárbaros. Volta, Arcanjo, desce e entrega novas propostas de paz e cartas com letras de luz. Canta hinos de encantar a vida para espantar a morte e faz brotar do imprevisto deserto e mesmo do impossível mar, que não virou sertão, algo que se possa chamar de futuro.
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José Nêumanne Pinto
| Poema lido pelo autor: José Nêumanne Pinto | ||
| Edição sonora: Mariza Lourenço | ||
| Arte e editoração deste mail: | ||
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Cláudia Cordeiro Reis |
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| Ilustração: | ||
| Pier Francesco Mola - Séc. XVII (detalhe) |
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