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RELÓGIO DE PONTO

Alberto da Cunha Melo


Tudo que levamos a sério
torna-se amargo. Assim os jogos,
a poesia, todos os pássaros,
mais do que tudo: todo o amor.

De quando em quando faltaremos
a algum compromisso na Terra,
e atravessaremos os córregos
cheios de areia, após as chuvas.


Se alguma súbita alegria
retardar o nosso regresso,
um inesperado companheiro
marcará o nosso cartão.


Tudo que levamos a sério
torna-se amargo. Assim as faixas
da vitória, a própria vitória,
mais do que tudo: o próprio Céu.

De quando em quando faltaremos
a algum compromisso na Terra,
e lavaremos as pupilas
cegas com o verniz das estrelas.

 

Arte e editoração de Cláudia Cordeiro
Foto de © Pedro Silva, no site 1000 Imagens
Mid: Astor Piazzola
Edição dedicada a Isabel Moliterno e Rodrigo Borring,

operários, como nós, da fábrica de nossos sonhos. Acesse:
http://www.plataforma.paraapoesia.nom.br/isabel_ensaios.htm
e leia o ensaio: "Ordem e Caos em 'Relógio de Ponto'", de Isabel Moliterno
 

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