O Sonâmbulo 
   

 

  César Leal

 

 

Os mistérios do céu
refletidos nas vagas
devolvem ao mar os nimbos 
na luz dissolvidos,
a noite é um losango,
o sono é vertical,
a morte, a luz de um sonho adormecido.
No seio da linguagem
por um astro
- vesti-lo em brumas
quando despertado,
ter sempre um ar de vivo, 
se dormindo, 
de morto, sempre um ar
quando acordado.
As sombras do ciclone
são árvores oblíquas,
vozes adormecidas
dentro de mim carrego,
na terra não há curvas
nem vulcões nem abismos:
- o círculo do horizonte é infinito e cego.

 

 

 

 

 

 

 

Arte, editoração de Cláudia Cordeiro Reis

Mid: Brahms

 

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