Cavalo negro

 

Lourdes Sarmento

Escuto o teu tropel
às margens do rio
tua voz presa carregando
o sonho, tua língua doce
lambendo as flores
do asfalto, e a água
molhando teu pêlo —
                     senhor do meu tempo
                     do breve instante
                     inflamado de amor.
            
Mudei a paisagem
                     e o calendário,
vencendo os dias
                     perdi a luz
                     dos teus olhos
e quanto mais o tempo passa
em mim conservo,
o som do teu tropel,
                     tua crina preta
                     ainda me veste,
a vida amadurece
tudo que parece morto
                      está vivo.
Meu sangue ferve,
sou a dama do teu tropel,
sou a fêmea
trazendo-te o olho da tarde
faminto de desejo.
Da antologia: Fauna e Flora nos Trópicos, SECULT, 2002, p. 171
 

 

Arte e editoração de Cláudia Cordeiro Reis

Imagem: Rodin - Mid: Love Teme - Barry White

 

 

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