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80 Anos de Osman Lins 100 Anos de Pablo Neruda 215 Anos do Iluminismo |
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Entrevista |
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José Nêumanne ao poeta Astier Basílio |
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O Silêncio do Delator |
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ENTREVISTA |
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| 01.Em que época seu novo romance é ambientado? | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| O
silêncio do delator
é o relato de um velório ocorrido neste ano de 2004. [...] |
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leia mais... |
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| 02.
A narrativa se limita, então, ao que se passa no velório fictício? |
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| Não.
À medida que os personagens vão aparecendo no velório, a história de
suas relações com o morto vai sendo contada e comentada por ele próprio
(em seções as quais intitulei de A
voz do morto). [...] |
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| 03.
Como ocorrem essas vozes? |
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| O
velório é narrado na voz Na glória! A política na voz A
paz do mundo. As transgressões (como drogas) em Os pés do torto. Histórias dos personagens paralelos à patota
(parentes deles, seus ancestrais e descentes) são recuperadas na voz O
cais do porto. As iniciações promovidas pelo Coelho na voz A
vez do louco. Cada capítulo termina com um trecho do poema que meu
amigo e editor Pedro Paulo de Sena Madureira fez para mim (Inventário)
e que é reproduzido inteiro depois do fim [...] |
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| 04.
Cada capítulo refere-se a um personagem? |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Não.
Cada capítulo refere-se a uma faixa de um dos dois álbuns que
considero fundamentais para a virada do rock and roll [...] |
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| 05.
Quem comparece ao velório do morto, afinal? |
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| Paulo,
publicitário bem-sucedido que larga tudo para ser literato, mas não
tem talento para brilhar como gostaria. Ricardo, o antigo militante
comunista negro, que virou burocrata importante (ministro da Saúde). [...] |
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| 06.
Por que um velório, afinal? |
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| Porque o livro pretende ser uma espécie de testamento, ou melhor, um inventário da geração dos anos 60. Cada capítulo traz em revezamento as faixas dos dois álbuns que citei acima. E revolve a cultura da época: o cinema, principalmente com As invasões bárbaras, de Dennys Arcand, A chinesa, de Godard, [...] | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| 07.
E qual é o conflito básico de sua história? |
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| No fundo, o leit motiv do romance é o conflito entre João Miguel e Penélope. Ele acha que a geração deles é a maior, trouxe uma imensa contribuição para a humanidade, citando Heráclito de Éfeso, para quem nunca ninguém se banha nas mesmas águas quando vai a um rio. Ela cita Hegel, [...] | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| 08.
É, então, um livro feminista? |
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| Sim.
Assumidamente. A única esperança da humanidade está no gênero
feminino. Embora o livro seja dedicado a um homem, pelo qual estou
perdidamente apaixonado: meu neto Pedro. |
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| 09.
A questão do gênero é importante na narrativa? |
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| Há
cenas de amor entre os dois sexos e de amor homossexual masculino e
feminino na voz Atrás do muro. |
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leia um fragmento... |
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| 10. Em
quais locais ocorrem todas essas ações do livro? |
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| Este foi o maior desafio do texto: escrever mais de 400 páginas de livro sem definir precisamente em que cidade, em que região e em que país do mundo seus personagens vivem. Apesar de referências indiretas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| 11a.
Este foi seu maior desafio? |
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| Não. O maior desafio foi manter o ritmo da narrativa, perseguindo um ideal descrito magistralmente pelo “coleguinha” Gabriel García Márquez: tirar o fôlego do leitor. [...] | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| 11b.
De onde você tirou esse título? |
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| [...]
No
fim, terminei fazendo uma proposital mistura de ficção e realidade,
talvez porque eu acredite que o romancista do futuro não é o enigmático
James Joyce, mas o erudito e gozador Jorge Luís Borges, que sabe muito
e mente mais. |
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13.
Qual a semelhança ou diferença com o romance anterior, Veneno
na veia? |
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| Talvez a única semelhança seja um certo vezo de informação, que subsiste neste texto e que matou Veneno. Ruy Fabiano acha que meu primeiro romance começa muito bem e termina mal porque cedi à tentação do texto de jornalista. Ele próprio acha que isso não acontece com O silêncio. Espero que não aconteça mesmo. [...] | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| 14.
No que o poeta e o jornalista participaram no processo criativo desta
obra? |
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| Há
muito do poeta, principalmente na narração das cenas de sexo. Estas
foram o maior desafio. Escrevi-as o tempo todo pensando no grande
escritor português Lobo Antunes, que nunca escreveu uma cena de amor
carnal, porque acha impossível não cair na vulgaridade, ao fazê-lo. Não
tenho a pretensão de ser incluído por ele em sua relação limitadíssima
de apenas duas cenas de sexo dignas de ser consideradas delicadas e,
portanto, literárias, uma de O
amor no tempo do cólera, de Gabriel García Márquez, e outra de um
best-seller, escrito por
Jackie Collins, de cujo título nem me lembro agora. Quanto ao
jornalista, espero que ele não se tenha manifestado tanto. Afinal, se
se manifestou foi para atrapalhar, nunca para ajudar. Há talvez um
excesso de informação no texto, que é, sim, um horrível vício de
repórter. |
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| 15.
Como você arrumou tempo, em meio a sua tão entupida agenda, para
escrever este romance? |
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| Nem eu mesmo sei. Na verdade, escrevi este romance em 1984. Mas então eu pretendia ser o James Joyce de Bodocongó e o texto ficou uma bela merda, como constatou o poeta Álvaro Mendes, que trabalhava comigo à época no Jornal do Brasil e a quem pedi que lesse. [...] | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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