A INTRUSA

 
 

 

Solange Rech

 

 
 

Um dia ela bateu à minha porta.
Tinha o ar tristonho de qualquer mendigo
E o olhar da amiga honesta que conforta.
Então eu a deixei morar comigo.


Fiz mal! Ela, egoísta, não suporta
Que eu tenha alguma luz, algum abrigo.
Feriu minha alma até que a visse morta,
Fez do meu coração triste jazigo.


Hoje, em vez da canção de alguém feliz,
Sai de mim um gemido em tom profundo
Que afasta a quem me venha ver e diz:


- "O poeta morreu de inanição.
Fuja ligeiro do sinistro mundo
Dessa bruxa fatal, a Solidão!"

 
 

 

 

 
   

 

 
 

 

Arte e editoração de Cláudia Cordeiro Reis

Foto do site 1000 Imagens

 

 

 

Plataforma para a Poesia

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 Contemporânea em Língua Portuguesa

www.plataformaparaapoesia.nom.br

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