Arriete Vilela

 

 

 

 

 

 

 
Atravesso-te
e te sei impossibilidade.
 

 

Dizer-te adeus
entre lantejoulas
não apagaria o fulgor o teu olhar
nas nossas diferenças.
 

 

Trazer-te comigo à infância
não te faria ver
que abrigo uma alma de cânfora
e de aurora.
 

 

Seduzir-te
não te daria a dimensão do que é existir
inteiramente como ouro sobre azul.
 

 

Escrever-te
é o único modo de surpreender os teus olhos
— que me lêem —
e te sentir nesse modo figurado de viver.
 

 

                            sou borboleta
                            em volta da tua luz.
 

 

Arte e editoração de Cláudia Cordeiro Reis

Foto de Marcus Prado
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