(1995)

“Nihil obstat”

 

 

 

 
II

É preciso que a música aparente
no vaso harmonizado pelo oleiro
seja perfeitamente consistente
com o gesto interior, seu companheiro

e fazedor. O vaso encerra o cheiro
e os ritmos da terra e da semente
porque antes de ser forma foi primeiro
humildade de barro paciente.

Deus, que concebe o cântaro e o separa
da argila lentamente, foi fazendo
do meu aprendizado o Seu compêndio


de opacidades cada vez mais claras,
e com silêncios sempre
mais esplêndidos
foi limando, aguçando o que escutara.

 
 Bruno   

Arte e editoração de Cláudia Cordeiro Reis - ed. fev.2005

Voz: Bruno Tolentino. No cedê: O escritor por ele mesmo. Rio: Instituto Moreira Sales, 2001.

 

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