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Fragmento do ensaio Faces da Resistência na Poesia de Alberto da Cunha Melo. Recife: Edições Bagaço, 2003, cap. 1.0; formatação adaptada à linguagem html. Cláudia Cordeiro Reis
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1.0
ALBERTO DA CUNHA MELO E A GERAÇÃO 65 |
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Enfim,
o que é um contexto datado quando subtraído à memória e à consciência
presente que o interroga? (BOSI,
2000, p. 10).
Neste capítulo, procurando tomar como guia as diretrizes de Alfredo Bosi, começamos a esboçar uma das faces do “poliedro” que diz respeito ao contexto histórico-literário da obra de Alberto da Cunha Melo. Não se trata, no entanto, de se fazer, aqui, uma leitura historicista tentando explicar a gênesis de sua obra unicamente por fatos exteriores a ela. Procuramos ir às origens da poesia de toda uma geração onde estão incrustados a obra e o percurso sócio-literário do autor, para trazer “à memória e à consciência”, de antigos e novos leitores da poesia de Alberto da Cunha Melo, os fatos tantas vezes subtraídos dos relatos da imprensa e de outras mídias pernambucanas e nacionais. Obviamente, este percurso oferecerá subsídios que poderão facilitar a compreensão das análises específicas do capítulo 4, desta monografia – Faces da Resistência na Poesia de Alberto da Cunha Melo – porque não se pode abstrair a obra do seu contexto, mas longe estamos de uma visão determinista há muito ultrapassada.
MELO, Alberto da Cunha (Jaboatão – PE, 1942
- ), poeta, editor, sociólogo, jornalista. Participou da geração 65 e foi
um dos fundadores da Edição Pirata. BIBL.: Círculo Cósmico. 1966 (poes.);
Oração pelo poema. 1969 (poes.); Noticiário. 1979 (poes.); Yacala, 1999 (poes.);
partic. antol. REF.: Quíntuplo, 13. DA. (COUTINHO,
2001. v. II, p. 1045).
GERAÇÃO 65. Grupo formado em Jaboatão, PE,
1964. Seus membros Alberto C. Melo, Domingos Alexandre, José L. A. de Melo e
Jaci Bezerra se reuniam em função da produção poética que cada um
desenvolvia. Denominou-se inicialmente Grupo de Jaboatão, passando a ser
conhecido, por sugestão do historiador Tadeu Rocha, em Recife, como Geração
65. Fundaram o Movimento Pirata e as edições de mesmo nome e mantiveram a
marca, Geração 65. Ref. De. (COUTINHO, 2001. v. I,
p. 765.)
Os verbetes acima transcritos são a mais recente referência, em
livro, de que temos conhecimento, sobre Alberto da Cunha Melo como
participante da Geração
Fundamentamos a nossa investigação em registros de variada procedência, especialmente os constantes dos livros: A noite da Longa Aprendizagem. Notas à Margem do Trabalho Poético, cinco volumes manuscritos, compondo, em média, mais de 600 páginas, inédito e inacabado – o primeiro registro é de 19 de fevereiro de 1978 –; Geração 65. O Livro dos Trinta Anos, (BEZERRA org., 1995), resultado de palestras e depoimentos do Seminário Comemorativo dos Trinta Anos da Geração 65; promovido pela Fundação Joaquim Nabuco, em 10 de novembro de 1995; e a edição especial do Suplemento Cultural do Diário Oficial de Pernambuco, A Poesia de Três Gerações, editado pelo escritor Mário Hélio (1995a). Esperamos, assim, também colaborar para o esclarecimento de alguns dos numerosos equívocos, senão da total falta de conhecimento, sobre a Geração 65 e a relação que teve Alberto da Cunha Melo com ela.
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Figura 1. Capa do livro Geração 65,
formato 21x30cm, |
Não discutiremos aqui o conceito de “geração”, mesmo que o pai da Geração 65, o poeta e crítico, César Leal, (1995), tenha fornecido os rumos da teoria existente, e o escritor Cláudio Aguiar (1995, p. 157-176) tenha tão bem fundamentado sua perspectiva em relação a esse conceito além do escritor Mário Helio (1995a). Todos eles reportam-se a José Ortega y Gasset, que escreveu El Tema de Nuestro Tiempo, levando “Julián Marías a escrever El Método Histórico de Las Generaciones e diversos outros trabalhos muito importantes sobre o tema” (HÉLIO, 1995a). Mas o conceito de Geração, principalmente no Brasil, ainda é uma teoria em discussão, não se definiu claramente e promove inúmeros polêmicas sempre que abordado. Por isso, preferimos, aqui, apenas lembrar que a multiplicidade de tendências estéticas, pós 22, principalmente, fez com que críticos e historiadores utilizassem essa divisão em gerações como meio didático para melhor sistematizar o estudo dos fatos literários nos planos históricos e/ou estéticos. E passamos a tentar configurar em tópicos específicos as bases que delineiam o perfil da Geração, especialmente o seu começo.
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continuação... |
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