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Várias obras estão
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| E | entrevista | |||||||||||||||||||
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Alberto da Cunha Melo, Anderson Braga Horta, Betty Milan, Cláudia Cordeiro Reis, Ermelinda Ferreira, Frei Betto, Gilberto Mendonça Teles, Isabel de Andrade Moliterno, Ivo Barroso, José Nêumanne, Marco Polo Guimarães, Ricardo Vieira Lima, Rinaldo de Fernandes, Urariano Mota |
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01. É atribuída a Santo Agostinho a seguinte proposição: "O que é o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei. Se quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei." A Poesia (a que faço) é uma arte do tempo e não do espaço (apesar de algumas vanguardas), mas já pesquisei em tudo que é livro — inclusive os seus — e não encontrei uma definição de ritmo que me convencesse. Estou, portanto, com o Santo Agostinho. Você pode me ajudar, Mestre da Palavra? Deonísio: Nem bem a juíza apita e o poeta bate pênalti? Pobre deste goleiro, obrigado a agarrar a bola no ângulo, que o batedor é craque. Meu caro Alberto, começo respondendo com você, no poema "Eros", que li no ensaio da Cláudia Cordeiro e continuo com Felipão, para não dizerem que estou esnobando nas respostas e jogando confete quando ainda está longe o próximo carnaval. O tempo é cheio de personagens, "todas elas com a mesma face/ que o demônio tem quando nasce". Não sei qual é, mas continuo procurando e lá se foram 56 anos nessa empreitada chamada vida: esses são os anos que NÃO tenho, pois que idos e vividos, gastados. Terei todos os outros que o Senhor, clemente e misericordioso, me conceder, para pensar sobre os temas e os problemas do tempo. Leitor e fã de Santo Agostinho, e não apenas quando fala do tempo, mas quando implora "Senhor, dai-me a castidade, mas não já", sei que o tema tem sido objeto de profundas reflexões de filósofos, astrônomos, físicos e, como dizia, do técnico Luís Felipe Scolari, o Felipão, que disse: "Como é que se ganha uma partida? Se ninguém me pergunta, eu sei. Mas se eu tentar explicar a alguém, aí eu vejo que não sei nada". Para gente como Felipão, o tempo tem 90 minutos, divididos em duas partes quase iguais, a imprecisão é por causa dos acréscimos, antes chamados de descontos, que levam uma partida a ter mais de 100 minutos, às vezes, sem contar as prorrogações regulamentares, de 15 minutos cada tempo, e os pênaltis.
Mas "quid est ergo tempus?", como perguntou Santo
Agostinho 01a. Réplica: Fiquei até orgulhoso de você também, como eu, não conseguir definir o tempo. Mas faço a seguinte correção na minha pergunta: [...} Como Santo Agostinho, em relação ao tempo, a maioria dos poetas, inclusive eu, sabe o que é o ritmo, mas se lhe perguntarem, já não sabem mais. O meu interesse é por uma definição de ritmo para a Literatura e especialmente a poesia. Perdão pelo abuso e um abraço mais forte de uma admiração maior. Deonísio: Como não estou respondendo nada mesmo, pois v. fez perguntas muito profundas, aproveito para acrescentar que aprendo muito com poetas como você, Alberto, feliz descoberta que devo a nosso amigo comum, o José Nêumanne. Mas talvez seja relevante dizer por que eu aprecio os versos que ligam filosofia e narrativa. Como v. sabe, todos os filósofos pré-socráticos foram poetas e grandes narradores, como são Neide Archanjo, Cecília Meireles, Camões, Drummond (tem coisa mais bem contada do que O Caso do Vestido?) etc. Guilhermino César, meu professor de literatura brasileira, que mudou a minha vida de escritor, mereceu de Drummond um poema intitulado Seqüestro de Guilhermino César, beleza combinada de verso, ritmo, metro, narração.
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02. Cada livro seu e cada oportunidade de convivência literária com você configuram-se-me como um "Bem Súbito", usando aqui o título de um livro do grande poeta Geraldino Brasil. O seu livro
Teresa, ainda leio e releio, para tentar desfazer o feitiço e debruçar-me criticamente sobre ele. Ainda não consegui. É divino. Mas minha curiosidade é esta: nas minhas pesquisas pelos mares da
Web, não encontrei referências a nenhuma obra poética sua. Você nunca escreveu nem um poema? Caso tenha escrito, por que abandonou a Arte Poética? Caso não tenha escrito, por que não?
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Ivo Barroso
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Urariano Mota |
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José Nêumanne |
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Frei Betto |
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14. É perceptível que o português do Brasil sofre mudanças aceleradas. Haverá algum ganho nesse processo, mas me parece que as perdas o sobrelevam. Perdemos em vocabulário e em construções sintáticas, com prejuízo para a precisão e a concisão, sem falar na elegância. Já que você, paralelamente à atividade literária stricto sensu, se dedica a questões lingüísticas, como na coluna "Etimologia", de uma revista paulistana, e no livro
A Vida Íntima das Palavras, vou insistir na tecla. Pergunto: |
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Gilberto Mendonça Teles
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Marco Polo Guimarães |
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Ricardo Vieira Lima
19a. Por que você utiliza figuras históricas como personagens? Como nasceu seu interesse em fazer esse tipo de ficção? O que você acha do romance histórico, hoje? |
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Ermelinda Ferreira
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Isabel de Andrade Moliterno Deonísio: Querida Isabel, como você escreve bonito sobre a poesia de Alberto da Cunha Melo! Você ainda está na USP? Foi lá que fiz meu doutorado na década de 1980. Defendi a tese em 1989! Outubro, dia 16. Não é só o primeiro sutiã que jamais é esquecido, a última tese também não se esquece! Principalmente pelo espartilho do método, que quase mata um ficcionista que se mete a buscar doutorado! Não resisto a transcrevo um trechinho que me fez ter inveja do poeta, aquela inveja saudável, de ver que alguém se debruçou com tanto carinho e atenção sobre uma obra: "Uma visão racionalista do mundo — racional e ao mesmo tempo paradoxalmente lírica — torna Alberto da Cunha Melo inclinado a reflexões de natureza ética, em que a ironia não deixa de estar presente, uma certa queixa contra o silêncio — o silêncio apenas necessário — daqueles que se tornaram guardas de Sião das editoras e protegem suas cidades, entrincheirados nas barricadas do controle das instituições acadêmicas. O quarteto em metro octossilábico é a característica essencial de seu verso — metro raríssimo na poesia de língua portuguesa. (...). A linguagem conotativa possibilita ao leitor muitos níveis de sentido. Mas creio que Alberto da Cunha Melo se refere — antes de tudo — às interferências, aos ruídos criados pelos que não desejam senão atrapalhar o trabalho do homem mais desarmado de nosso tempo: o poeta. Mas se o poeta resiste, o mundo se afasta velozmente, impedindo-o de participar dessa urgência presentificada em toda a realidade fenomênica". Quem dera, nossos professores e analistas literários seguissem exemplos como o seu! Mas, não, em geral a gente lê tanta coisa sem sentido no campo da crítica universitária! Olha, Isabel, tenho até vergonha de lhe dizer como fiz DE ONDE VÊM AS PALAVRAS, mas você perguntou! Fui quase sempre pautado pela revista CARAS, onde mantenho uma coluna de etimologia há mais de 600 semanas! Mais de dez anos, portanto! Heloisa Fernandes, Judith Patarra e Nilson Marcon, entre outros, têm me sugerido as palavras, outras eu escolho quase aleatoriamente ou então por influências do que leio e ouço.Já a pesquisa, como a fiz, não posso responder aqui. De todo modo, adianto que fiz pesquisas de campo e bibliográficas, mas essas do que aquelas! |
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Espero que haja sempre editores no mundo, pois sem eles não haveria escritores nem leitores e todos ficaríamos inéditos para sempre, que é um modo que temos de morrer, pois escrever é viver. Deonísio da Silva (Teresa. São Paulo: Mandarim, p. 219) |
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