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Na véspera...
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| Álvaro de Campos | ||||
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Na véspera de não partir nunca Ao menos não há que arrumar malas Nem que fazer planos em papel, Com acompanhamento involuntário de esquecimentos, Para o partir ainda livre do dia seguinte. Não há que fazer nada Na véspera de não partir nunca. Grande sossego de já não haver sequer de que ter sossego! Grande tranqüilidade a que nem sabe encolher ombros Por isto tudo, ter pensado o tudo É o ter chegado deliberadamente a nada. Grande alegria de não ter precisão de ser alegre, Como uma oportunidade virada do avesso. Há quantas vezes vivo A vida vegetativa do pensamento! Todos os dias sine linea Sossego, sim, sossego... Grande tranqüilidade... Que repouso, depois de tantas viagens, físicas e psíquicas! Que prazer olhar para as malas fítando como para nada! Dormita, alma, dormita! Aproveita, dormita! Dormita! É pouco o tempo que tens! Dormita! É a véspera de não partir nunca! |
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Arte e editoração de Cláudia Cordeiro Reis |
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| Mp3: fragmento de Canção do Mar, de Frederico de Brito e Ferrer Trindade, no CD Lágrimas, de Dulce Pontes | ||
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Plataforma para a Poesia Sítio Virtual Pernambucano da Poesia Contemporânea em Língua Portuguesa www.plataforma.paraapoesia.nom.br Visite nossa livraria virtual. Clique no livro: Leia Poesia! |
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“Na véspera de não partir nunca”: 70 anos sem Fernando Pessoa Seminário 2005 |
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