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"Escrevo pensando no leitor, submetido aos caprichos do personagem, mas de olho no gosto do leitor. Sem o leitor, não existo, sem o leitor nada sou. O leitor é meu pastor, com ele pouco me faltará." 

José Nêumanne

Se você também leu o romance O Silêncio do Delator e quer ver sua opinião publicada nesta página, envie mensagem para o autor no seguinte endereço: neumanne@agirafa.com.br

  "José Nêumanne Pinto assume o seu lugar entre os mestres do romance contemporâneo."  - Wilson Martins: "A Geração Perdida" - 22.novembro.2004 - © Gazeta do Povo, Caderno G, p 4  

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OPINIÃO

Lêdo Ivo

Este romance é o “Encontro marcado” dos anos 60: a pungente história de uma geração perdida.

            Ralph T. Stettinger

      Li com entusiasmo o denso comentário de Eustáquio Gomes, a respeito de livro recente de José Nêumanne, O Silêncio do Delator, no Caderno C, do nosso Correio Popular, do último domingo. Coincidentemente, estava mergulhado na leitura de suas mais de quinhentas páginas já havia bons dias e subscrevo inteiramente a inteligente visão do mestre Eustáquio. Como vivi intensamente a agitada década de 60 como estudante de Direito, nas velhas Arcadas do USP, a curtição me amarrou forte. Aliás, para quem gosta de política, cinema, música, literatura e aprecia tiradas de humor fino, o livrão do Nêumanne se impõe como leitura obrigatória. É pegar e não largar. Ralph T. Stettinger (advogado criminal, Campinas) - (No Correio Popular, em 31 de janeiro de 2005)

   
 
           

        Prezado Neumanne: era uma tarde de domingo e, como habitualmente, eu lia. Aberto à minha frente, o delator silente (perdoe-me a rima pobre e não-desejada). Encantado, eu o devorava. Já estava bem adiantado na leitura, talvez andasse pelas quatrocentas páginas, sem sequer um único instante de arrefecimentoi do impulso. O rítmo era frenético e não comportava interrupções. Marcha batida. Foi então que minha mulher, sabedora do meu envolvimento forte com o livro, em torno do qual, aliás, eu tecia seguidos ( e entusiásticos) comentários, me trouxe o excelente texto do Eustáquio. Li-o, subscrevi-o interiormente com a convicção de uma fala em plenário do Júri, e, de plano, sem um átimo de hesitação, suspensa a leitura a contragosto, fui encaminhar minha (paupérrima) mensagem ao Correio Popular. Nada do que lhe digo, amigo Neumanne, pode lhe causar surpresa. E isso pela só razão de que sua obra é primorosa, literariamente muito diferenciada, instigante demais, articulada com requintada inteligência, riquíssima em criatividade (no particular, é genial), bastante informativa, culturalmente densa, e tanto e tanto mais que seria cansativo enumerar. E o que dizer, amigo Neumanne, da perfeição contextual dos diálogos (entre as) e das reflexões das personagens? No caso, o conteúdo é preciso. E as palavras e frases ajustadas com zelo de ourives - absolutamente insubstituíveis -, lhes conferem um incrível sentido de realidade. Fazendo "blague", dá para dizer que às vezes nos atravessa uma dúvida se se trata mesmo de ficção, tamanha é a precisão e a sensibilidade (extrema) como tudo é articulado. Mas, me imponho o "stop". Evidentemente, não quero cansar o autor da obra preciosa que, apesar de bastante alentada, não me inspirou o menor cansaço. Eu me colocaria em situação desconfortável, pois saltaria aos olhos minha falta de talento. Mas, não lhe dou os parabéns por ela. No caso, não usarei a expressão. Você compreenderá. O motivo é singelo. Seria medíocre e estaria em ostensivo descompasso com a grandeza do objeto do comentário. Implicaria servir-me de um lugar-comum para referir-me a algo e a alguém que têm tudo de incomum. Não. Prefiro mandar-lhe um forte abraço (admirado), que faço veículo da minha certeza do retumbante sucesso que o seu feito alcancará pelos incontáveis (e absolutamente irrecusáveis) méritos. Seu amigo (não encontraria outro termo, perdoe-me), Ralph. (Por e-mail)

 

 
Jiddu K. Saldanha

          O romance do Neumanne é uma coisa incrível, estou impressionado as citações literárias lá no livro... muito do que ele diz no primeiro capítulo são livros e discos que ouvi, embora eu seja da geração 70 e só tenho descoberto algumas dessas coisas quase na década de 80 que foi onde formei minha psiquê artística...
           Eu fui um leitor assíduo de Vargas Lhosa, Garcia Marques e Manoel Puig (este último ele ainda não citou) mas é incrível como o o romance se inscreve muito mais como uma prosa latinoAmericana (o Brasil deve isto aos países visinhos) do que propriamente algo "brasileiro"... 
           Mas para mim, a grande sacada são os "esporros" que o personagem "morto" dá no narrador do livro (que pode até nem ser o aler égo do Neumanne porque o personagem do morto me parece mais com esse alterego de fato), em um determinado momento a própria narrativa do livro se questiona e as vezes a gente se surpreende com o o livro querendo "chingar" o narrador e a coisa mergulha numa espécie de autoreferência e logo salta para os personagens... estou chocado com esta descoberta narrativa...
          Não posso com este "O Silêncio do Delator" ... este romance é de uma inventividade incrível! Estou gostando muito de investigar o estilo proposto no livro (digno de ganhar os melhores prêmios literários deste país), o jogo que o danado do Neumanne faz com as palavras e o imenso referencial a partir dos anos 60... são mesmo um legado intelectual, estou anotando tudo...
         Há muito tempo que não me interessava por prosa mas você está me devolvendo este prazer com o teu "O Silêncio do Delator".
Grande abraço do Jiddu K. Saldanha  www.paparazho.hpg.com.br

 
         
         
         
         
         
 
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