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Prezado Neumanne: era uma tarde de domingo e, como habitualmente, eu lia. Aberto à minha frente, o delator silente (perdoe-me a rima pobre e não-desejada). Encantado, eu o devorava. Já estava bem adiantado na leitura, talvez andasse pelas quatrocentas páginas, sem sequer um único instante de arrefecimentoi do impulso. O rítmo era frenético e não comportava interrupções. Marcha batida. Foi então que minha mulher, sabedora do meu envolvimento forte com o livro, em torno do qual, aliás, eu tecia seguidos ( e entusiásticos) comentários, me trouxe o excelente texto do
Eustáquio. Li-o, subscrevi-o interiormente com a convicção de uma fala em plenário do Júri, e, de plano, sem um átimo de hesitação, suspensa a leitura a contragosto, fui encaminhar minha (paupérrima) mensagem ao Correio Popular. Nada do que lhe digo, amigo
Neumanne, pode lhe causar surpresa. E isso pela só razão de que sua obra é primorosa, literariamente muito diferenciada, instigante demais, articulada com requintada inteligência, riquíssima em criatividade (no particular, é genial), bastante informativa, culturalmente densa, e tanto e tanto mais que seria cansativo enumerar. E o que dizer, amigo
Neumanne, da perfeição contextual dos diálogos (entre as) e das reflexões das personagens? No caso, o conteúdo é preciso. E as palavras e frases ajustadas com zelo de ourives - absolutamente insubstituíveis -, lhes conferem um incrível sentido de realidade. Fazendo
"blague", dá para dizer que às vezes nos atravessa uma dúvida se se trata mesmo de ficção, tamanha é a precisão e a sensibilidade (extrema) como tudo é articulado. Mas, me imponho o
"stop". Evidentemente, não quero cansar o autor da obra preciosa que, apesar de bastante alentada, não me inspirou o menor cansaço. Eu me colocaria em situação desconfortável, pois saltaria aos olhos minha falta de talento. Mas, não lhe dou os parabéns por ela. No caso, não usarei a expressão. Você compreenderá. O motivo é singelo. Seria medíocre e estaria em ostensivo descompasso com a grandeza do objeto do comentário. Implicaria servir-me de um lugar-comum para referir-me a algo e a alguém que têm tudo de incomum. Não. Prefiro mandar-lhe um forte abraço (admirado), que faço veículo da minha certeza do retumbante sucesso que o seu feito alcancará pelos incontáveis (e absolutamente irrecusáveis) méritos. Seu amigo (não encontraria outro termo, perdoe-me), Ralph.
(Por e-mail)
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