Trovas inéditas de Benedito Cunha Melo 
 
 

 

 

 

 À Sempre-Viva, em verdade,
Não deu perfume o Senhor,
Para não ser a vaidade
Sempre viva numa flor.

 
 

 

Quando eu morrer, trovadores,
Se me tendes, como irmão,
Enchei, enchei, como flores,
De trovas o meu caixão.

 

 

 

 

 

Senhor: tranqüilas e mansas,
As últimas tardes minhas,
Vendo, no pátio, crianças,
Vendo, no azul, andorinhas...

 

 


A vida de São Francisco
Foi um poema à pobreza:
Trocou os bens pelo Bem,
Sua única riqueza.

 

 

 

 

 

Venho de um mundo distante,
Venho de um mundo acabado,
Onde deixei, soluçante,
O último sonho enterrado.

 

 

Fez lembrar-me a voz do grilo,
Noite a dentro; aqui, ali,
A paz de um mundo tranqüilo,
Em que já cri... cri... cri... cri...

 

 

 

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