Doente,

Aquela que amas está doente,

Mergulhada num sono letárgico,

Fechada numa caverna escura

Selada por uma pedra bruta;

Se estivesses ao meu lado

Não teriam atado minhas mãos e pés

Com lençóis mortuários,

Nem teriam coberto meu rosto

Com um véu triste.

 

Tenho horror a esta atmosfera lúgubre,

Onde morcegos

Esvoaçam como anjos negros,

Causa-me repugnância

O cheiro de sepulcro e musgo,

Vem,

Quero viver,

És meu amigo,

Liberta-me

Que sou uma múmia

Cheia de sonhos.

Choras por mim?

Ah! Como me amas!

Sabia que virias,

Que não me abandonarias aos vermes,

Arranca estas faixas,

Deixa que eu caminhe

Por trilhas abertas

Onde cintilas

Como um sol.

 

 
 
 
 

Arte e Editoração: Cláudia Cordeiro Reis

Casa e Castelo. São Paulo: Escrituras, 2002

Capa: Vera Andrade

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