
Estamos
todos cercados;
e
o silêncio do sonho
é
nossa arma sagrada:
as
pistolas e as línguas de aço
dos
inimigos brilham ao sol,
e
eles gritam tanto
sobre
as velhas colinas,
atrás
das cegas estantes,
que
sabemos de tudo;
e
colados ficamos,
amamos
e permanecemos.

Vamos
falar dos objetos
para
ninguém sair ferido.
Os
deuses e as idéias
sempre
nos dividiram.
Vamos
falar apenas dos objetos.
Deixemos
em paz
o
novo amor de Rachel,
deixemos
em paz
o
homossexualismo do patriarca.
Deixemo-nos
em paz.

Dizer
que, no fundamental,
estamos
sós,
é
frase de efeito,
mas
sinal para todos
se
omitirem
do
sofrimento de todos,
no
fim, é frase
que
causa, mesmo,
um
monstruoso efeito.


Poemas
do livro
O
Cão de Olhos Amarelos
&
outros
poemas inéditos
A
Girafa Editora, 2006
Prêmio de Poesia 2007 da
Academia Brasileira de Letras

Arte
e editoração: Cláudia Cordeiro
Leia
Poesia!


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