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Artesã
do Templo
Alberto da Cunha Melo
À tia
Albertina
Pranto mais litúrgico a cera
não derramou sobre o assoalho
da Capela nova e suave
e mais rude que suas mãos.
Mágoa de minha tia que acha
poucas as flores do universo
e as faz de papel e de pano
entre suas santas de gesso.
Podem lá fora os carvoeiros
morrerem negros pela estrada,
ela o sabe, mas ainda é fraca
para levantá-los: faz flores.
Porque é seu modo de ser santa
e jardineira aqui na Terra.
Ela não critica o Senhor,
ajuda-O, a falta é tão grande.
Se são aves que estão faltando,
ela se põe a trabalhar
no seu quartinho, modelando,
com muito amor, pombos de goma.
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