Alta Residência

Alberto da Cunha Melo

 

Pequenino e trêmulo ser,
que medrosamente apertaste
a campainha desta casa
de pedra: hoje eu te atenderia.
 
Ontem ainda era possível
recusar a tua presença,
simular um grande silêncio
até que, em prantos, te afastasses.
 
As quatro torrentes do Éden
puseram abaixo estas muralhas;
hoje, eu quero receber-te
em festa, e as torrentes não deixam.
 
Grito no terraço que estou
aqui, e ninguém acredita
que esta casa seja habitada;
ninguém quer voltar ao deserto.
 
Como estou humilde depois
que estou sozinho e a ninguém
posso dar a minha humildade,
como estou sozinho depois.

 

              

Do livro Poemas Anteriores. Recife: Bagaço, 1989

Foto: Erik Reis, do site Mil Imagens

www.1000imagens.com/autor.asp?idautor=252&t=5#portfolio

Seleção, arte e editoração de Cláudia Cordeiro Reis

 
 

"Em minha vida, a poesia é um lugar de refúgio, um abrigo para enlouquecer em paz, se isso for possível. Um refúgio no sentido primitivo que tinha a máfia, entre os camponeses da Sicília, para escapar do Clero, dos nobres e dos esbirros do Estado. Ou seja: a poesia como uma forma de suportar a vida. Mais refúgio que palco, mais defesa que ataque."

 

Alberto da Cunha Melo

(em entrevista ao jornal O Galo - Natal - RN - Janeiro/2000)

 

Sobre Alberto, encontram-se  verbetes no Dicionário Biobibliográfico de Poetas Pernambucanos (Recife, CEPE, 1993), na Enciclopédia VERBO das Literaturas de Língua Portuguesa. (Lisboa/São Paulo: Verbo Editora, 1999) e nas antologias: Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século (São Paulo: Geração Editorial, 2001); 100 Anos de Poesia. Um panorama da poesia brasileira no século XX.( Rio: O Verso, 2001).

 

 

 

Visite a home page do poeta: 

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