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"Um Corpo que Cai" |
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| Tal se tocasse a extremidade | ||
| do cabelo de estranha moça | ||
| o homem semeado tocou | ||
| naquele fio com muito medo. | ||
| Segurando-o, pôs-se a puxá-lo | ||
| de novelo, com a tirar | ||
| uma veia do grande órgão | ||
| que emurchecia pouco a pouco | ||
| (o coração). Mas preferiu | ||
| seguir de costas com seu fio | ||
| e contemplar o seu tamanho | ||
e ver extinto o seu começo. |
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| Davá-nos assim esse aspecto | ||
| de quem procura levantar | ||
| à distância, por trás das casas, | ||
| uma pandorga que caíra. | ||
| E só ele caíra — o chão | ||
| fez-se macio como o ar | ||
| e o mais souberam, tão somente, | ||
| a carne solta e o sangue em festa. | ||
| Do livro: Poemas Anteriores (1989)
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Editoração de Cláudia Cordeiro Reis |
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| Imagem: Desenho de Alberto da Cunha Melo | ||
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