Alberto da Cunha Melo

 

Moro tão longe, que as serpentes 
morrem no meio do caminho. 
Moro bem longe: quem me alcança 
para sempre me alcançará. 


Não há estradas coletivas 
com seus vetores, suas setas 
indicando o lugar perdido 
onde meu sonho se instalou. 


Há tão somente o mesmo túnel 
de brasas que antes percorri, 
e que à medida que avançava 
foi-se fechando atrás de mim. 


É preciso ser companheiro 
do Tempo e mergulhar na Terra, 
e segurar a minha mão 
e não ter medo de perder. 


Nada será fácil: as escadas 
não serão o fim da viagem: 
mas darão o duro direito 
de, subindo-as, permanecermos. 

 


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Arte e editoração de Cláudia Cordeiro Reis, em 15.02.2007

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