O Presente

 

Alberto da Cunha Melo

 

  O que hoje recebes

  e não podes pegar, guardar
  em panos e papéis laminados,
  é imperecível,
  presente onipresente.
  Estás com ele na chuva
  e não temes que se desfaça.
  Estás com ele na multidão
  e não o escondes dos mutilados.
  O que não existe para os homens
  deles estará protegido,
  o que os homens não vêem
  não poderão espedaçar.
  Eis o que não te denuncia
  porque não tem face
  nem volume para ser jogado no mar.
  Eis o que é jovem a cada lembrança
  porque não tem data
  e série, para envelhecer.
  O que hoje recebes
  não pode ser devolvido.

 

Editoração de Cláudia Cordeiro

 

 

                                 

 

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Que a estrada se abra à sua frente,
Que o vento sopre levemente às suas costas,
Que o sol brilhe morno e suave em sua face,
Que a chuva caia de mansinho em seus campos.
E até que nos encontremos de novo,
Que Deus o/a guarde na palma de suas mãos. 
(Prece Irlandesa)

 



 

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