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Oração pelo Poema (fragmento)
Alberto da Cunha Melo
XXVI
A cem quilômetros por hora, solto a direção do automóvel, para escrever alguma coisa mais urgente que minha vida.
Devo portanto utilizar o vocabulário econômico do Século: é proibido amar, fumar, pisar na grama.
Mas gostaria que restasse algum tempo para dizer no poema as palavras súbitas de recompensa e remissão.
Ó meu Deus, eu quero escrever a minha vida, não teu Céu. Eu estou só e enlouquecido como as ovelhas mais longínquas.
Dá pelo menos a esperança de terminar o doloroso poema. Dá isso a teu filho, caído, e coberto de sal.
Foto de Marcus Prado Arte e editoração de Cláudia Cordeiro
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