Retrato de Parede

 

Lembro de minha mãe

Que mantinha poços secos

Entre os muros das clavículas

E o resto do corpo era sertão.

 

 

Noite

 

Quando gatos têm safira nos olhos

O medo se multiplica

E os que escrevem

Tremem por seus adeuses

E o sono dos vizinhos.

 

 

Se já nem Sonho

 

Década após década cada um

Se aproxima do último caminho

Quando uma árvore ou o amor

É só isso.

 

Alguns desabam pela dor

Outros desaprendem a comoção,

De tanto aplauso.

 

Eu,

Se já nem sonho

Abro um atlas e viajo

Escolhendo com a mão onde Anoitece

Cedo.

 

 
 
Arte e Editoração: Cláudia Cordeiro Reis

Seleção dos poemas: Alberto da Cunha Melo

Capa: Júlio Gonçalves

Ritmo dos Nus. Recife: ed. do Autor, 1992.

Plataforma para a Poesia

Sítio Virtual Pernambucano da Poesia Contemporânea em Língua Portuguesa

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