Retrato de Parede
Lembro
de minha mãe
Que mantinha
poços secos
Entre os
muros das clavículas
E o resto do
corpo era sertão.
Noite
Quando
gatos têm safira nos olhos
O medo se
multiplica
E os que
escrevem
Tremem por
seus adeuses
E o sono
dos vizinhos.
Se
já nem Sonho
Década
após década cada um
Se
aproxima do último caminho
Quando
uma árvore ou o amor
É
só isso.
Alguns
desabam pela dor
Outros
desaprendem a comoção,
De
tanto aplauso.
Eu,
Se
já nem sonho
Abro
um atlas e viajo
Escolhendo
com a mão onde Anoitece
Cedo.
