após todos os fins
nasço: 
nos escombros do muro,
das torres,
do mundo. 

Eu, 
rascunho permanente,
de um já escrito
epitáfio. 


 

carrego n'alma
um domingo com a filha que terei
a velhice na cama dividida
o horizonte concluído da janela 


mas um escorpião tem medo de fogo 
em meu sangue
dança e derruba sua peçonha de 4 patas
que me põe de pé quando sou homem 


e eu sou mais veneno
que paisagem

 

 

 

onde o 
desespero
escava um 
nó exato.
Uma verdadeira 
solidão 
não seu relato,
o vazio mais intacto.
Descobrir um
caminho
e apagar os 
rastros

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Do livro inédito Antimercadoria.