Mar anterior
Astier Basílio
Este sal que eu encontro em tua vária
circunstância de flor, recolhe o dízimo
dos desejos abertos pela praia
que existe nas margens do teu íntimo,
há um mar que se perde nesta lábia.
Teu cansaço é um caminho de eucaliptos.
Vendavais seduzidos pelas harpas
assanhavam os fogos do teu trigo,
as retinas queimando por fechadas.
Sonha a falta do sol com seu abismo
que percorre o punhal desta palavra
quando o poente já refaz seu vidro.
Sei que o tempo se move em meio às águas.
Atravessas os mares do que eu sinto.
Sobre Astier:
Afeito à prática da forma fixa, principalmente
do soneto, Astier Basílio também demonstra
dominar os volteios da retórica popular,
firmando-se, portanto, como um continuador
da tradição regional e telúrica, tão característica
da lírica paraibana.
Hildeberto Barbosa Filho
(O Norte, 30 de janeiro de 2000)
Mais insólito que o seu nome só mesmo
seu livro: um autor de 22 anos escrevendo uma obra
de tantos méritos estilísticos é coisa rara. Seu
domínio do sento moderno me causa espanto,
tenho a impressão de um Rimbaud paraibano que
já nasceu maduro.
Cláudio Feldman
(Santo André, 12 de janeiro de 2001)
(...) Pois é bom ir logo avisando que
o menino é petulante. E como! Ele não
se contenta em ser a revelação do ano, o
Rimbaud da Borborema, como gosta
de chamá-lo o poeta maior de Pernambuco
Alberto da Cunha Melo - um Rimbaud
sem Verlaine, é bom que se diga, para evitar
insinuações malévolas. O poeta se apresenta
ao leitor sem travos de verdura nem sabor
de passado apenas maduro e pronto,
nunca acabado.
José Nêumanne Pinto
(apresentação do livro Searas do Sol, João Pessoa: Idéia, 2001)
O poema deste mail é um
dos inéditos do livro todo dedicado à
sua musa Ianne.
Ganha a Literatura Brasileira, que vê
jorrar em suas veias sangue novo
de primeira. A transfusão necessária
para que arte da poesia eternize-se
entre nós.
Ave todas as musas!
Salve Astier!