a arte do desencontro - a partir de um fragmento

de Fellini

 

amor, estrada tão estreita e ambígua,

onde a  face de um deus sonhou vazios

nas espáduas das névoas. Cada fio

se feria nos pés da espera exígua,

 

pendurada distância além dos prazos.

O destino escrevendo sem rascunho,

brincadeiras do branco em cada punho,

a impossível abolição do acaso.

 

A paisagem na possessão dos passos,

tabuleiro de espelhos em que o tempo

era a rosa dos rumos ou seus traços,

um projeto de azul, do céu isento.

 

Labirinto de asas tão esquerdas,

pois a vida é procriação de perdas

 

 

 

 

Arte e editoração: Cláudia Cordeiro 

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