AUTA DE SOUZA: POESIA 

             NA VIDA E NA MORTE

                                        

 

 

 

 

Auta de Souza

 

Mãe das Dores, Senhora da Amargura,

Eu vos contemplo o peito lacerado

Pelas mágoas do filho muito amado,

Nas estradas da vida ingrata e dura.

 

Existe em vosso olhar tanta ternura,

Tanto afeto e amor divinizado...

Que do vosso semblante torturado

Irradia-se a luz formosa e pura;

 

Luz que ilumina a senda mais trevosa,

Excelsa luz, sublime e esplendorosa

Que clareia e conduz, ampara e guia.

 

Senhora, vossas lágrimas tão belas

Assemelham-se a fúlgidas estrelas:

Gotas de luz nas trevas da agonia.

 

(Publicado no Novo Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro para 1932. Lisboa: [s.n.]. p. 162)

 

 

 

 

 

Auta de Souza, em psicografia de Chico Xavier

 

Vamos juntos vencendo a noite escura,

De mãos unidas pela estrada afora,

Combatendo o infortúnio que devora

Os filhos da aflição e da amargura.

 

Sob a paz da esperança viva e pura,

Em torno à dor bendita que aprimora,

Aguardaremos a sublime aurora,

Consolando a miséria e a desventura.

 

Amados, não temais a treva estranha,

Escalemos o topo da montanha,

De coração cansado ao desabrigo!. . .

 

Finda a noite de angústia e de saudade,

Chegaremos, em plena eternidade,

Ao lar eterno do Divino Amigo!

 

Publicado no livro, Relicário de Luz, 1. ed. São Paulo: GEF. 20 de junho de 1962. Psicografia de Chico Xavier.

 

 

 

Arte, editoração de Cláudia Cordeiro Reis

Foto de Marcus Prado (detalhe)

 

Mid: Chopin

 

 

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