Primeira Elegia

 

Um homem passou em minha vida

com a alegria de suas bem-aventuranças.

Seu nome era Romano Zufferey.

 

Sua luta em favor da vida

marcou de beleza

o que era pequeno, delicado e humilde.

 

Quando nada podia conter

a nossa lágrima

seu abraço afirmava: vou

onde for a sua mágoa.

 

Um dia ele me disse:

"A verdade vale a vida, a justiça vale a vida".

 

Para não esquecer fiz uma placa

e coloquei na parede de onde vivo.

Mas sei: lutou

para que eu a pusesse em minha vida.

 

 

 

Segunda Elegia

 

 

Esta lágrima é de outro,

rio vazante de enchentes,

poça d'água

desviada do azul

e o sal das vagas.

É operária

e se mistura à minha

pobreza (desigual)

na casa, a terra,

o filho e o amado

que nos falta.

Cai sobre o corpo

estático, vazio

do amigo

que não se negava

a qualquer lágrima.

 

 

Romano Zufferei, Suiço, Padre, assistente e lider da Ação Católica Operária (Recife), movimento comprometido com a liberdade e a dignidade do homem. Romano, que escantou-se em 1985, viveu a vida em estado de grandeza "comprometido com a luta de classe operária". Foi "um homem solidário, corajoso e bom, mas, antes de tudo, um exemplo inigualável de vida."

 
Arte e Editoração: Cláudia Cordeiro Reis

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