Três Poemas de

César Leal

 

 

Lira

 

Rede oculta de sedas,

ave clara ao sol canta,

prados cheios de espinhos,

grito de amor que espanta,

 

silenciosas cavernas,

tão ocultas na mente,

luz do Sol que se põe,

ocaso transparente.

 

peso do tempo morto,

fortes estivadores

que conduzem nos ombros

duras cargas de dores,

 

a luz da fantasia

guia os anjos que planam

no céu abrindo as asas,

recobertas de chamas.

 

Os cinzentos cargueiros

se enfileiram no porto

onde as águas verdosas

batem moles no lodo!

 

 

Imagens da Vida

 

Seu fogo suporta

mergulho nas águas

sobe do mergulho

mais rubro mais alto

 

Caminha no vento

com seus pés de vinho

martela-lhe o peito

tantos cravos finos

 

Sente sempre livre

a cinza da voz

giram-lhe na boca

tornados de sol

 

São giros velozes

empurrando os ventos

com setas e raios

artérias adentro

 

As gotas de espelhos

nos arcos da ponte

lágrimas dos arcos

caem-lhe na fronte!

 

 

Quando o Mar se Rebela

 

Quando mar se rebela

nos trazendo seus medos

trovões soam mais baixo

que as águas nos rochedos.

Peixes amedrontados

descem, fundo, aos abismos:

suas caudas o mar torce

nas ondas de seu sismo.

Os mares abrem as águas

levam barcos à areia,

depois dos barcos sobem

 até a crista cheia

das ondas tão velozes

ao som da tempestade

que faz da noite dia

e noite inteira a tarde.

Relâmpagos nas trevas

abrem clarões no mar,

se é dia: - a tempestade

cobre de trevas o ar!

 

 

 
 
Arte e Editoração: Cláudia Cordeiro Reis

Tempo e vida na Terra. Rio, Ed. Fundação Biblioteca Nacional/Imago, 1998.

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