Para Camille Claudel

 

 

Eu quero uma alegria Beethoven

Schiller na curva do tempo

Corais em conchas acústicas.

 

Eu quero uma alegria água

Em ondas de tubos espessos

Farra de espumas em desleixo

Molhando as coxas da praia.

 

Eu quero essa alegria doce

Ternura e carne, alvoroço

Modigliani ou Monet em esboço

Camille ao vivo e a cores.

 

Eu quero uma alegria jogo

Serpente encantada do novo

Alvorecer de manhãs em agosto.

 

Eu quero essa alegria aos saltos

Princesa de toda galáxia

Luxúrias em cometa de prata

Cinismo de vida a jorrar.

 

Mas eis o momento em chamas

Gemidos, o roubo, o assalto,

E esse dia bendito

Deixou a alegria pra lá.

 

Somos mesmo

Reféns

Dos que amamos.

 

            

  (Poema selecionado para a antologia Marcas do tempo VII, Biblioteca Pública Municipal Prof. Gerson Alfio De Marco, Descalvado, SP, p. 38.

 

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Arte e editoração 

da autora 

 

 

 

 

 

 

 

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