Meus olhos corriam rios ignorando margens.

O mundo era grande demais para meus pequenos olhos, 

Olhos de bola de gude, rock de garagem.

Meus olhos enxergavam o futuro

Na escala de um a um milhão,

Olhos de atiradeira nas folhas da escuridão.

Estão cansados, meus olhos,

De medir os rios além das margens

De caçar as cores através dos campos

De trepar acima das árvores em busca do infinito.

Estão gastos e secos,

Exaustos de luz,

Repousam no escuro para ver estrelas por dentro.

No coração do homem o sol nasce no futuro

A velhice é a infância dos olhos

De volta ao centro.

 (No livro: escreva sua história. Rio de Janeiro: Five Star, 2004, p. 19)

Arte e editoração 

Cláudia Cordeiro

 

 

www.plataforma.paraapoesia.nom.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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