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Havia noites em que
A porta ficava aberta
E podíamos vislumbrar,
Na penumbra,
A cidade mergulhada na neblina.
Havia noites em que
Saíamos na chuva
Pelas ladeiras de Olinda.
Havia noites
Em que a tristeza
Era uma mera
Lembrança,
Perdida
Nos confins da infância,
Entre mangueiras
E atiradeiras.
Havia noites
Em que pairava,
Como uma gaivota,
A eternidade do momento.
Carlos Maia
Maio/84

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