Havia noites em que
A porta ficava aberta
E podíamos vislumbrar,
Na penumbra,
A cidade mergulhada na neblina.
Havia noites em que
Saíamos na chuva
Pelas ladeiras de Olinda.
Havia noites 
Em que a tristeza
Era uma mera 
Lembrança, 
Perdida
Nos confins da infância,
Entre mangueiras
E atiradeiras.
Havia noites
Em que pairava,
Como uma gaivota,
A eternidade do momento.

 

                                         Carlos Maia

 

Maio/84

 

 

Tudo vale a pena se a poesia nos envenena!

VOLTAR:  Mais poemas  de Carlos Maia