Maçãs Negras Sonhei com o teu quintal coberto de ramagens ofertando maçãs negras e de repente senti o meu coração estrangeiro. Longe do meu tempo à revelia dos sonhos, levei adiante o destino, fui a Damasco e Chipre 'Sem chorar os mortos'. Depois voltei sozinha num barco de quilha azul sobre águas de marfim só para ver no inverno rios chegarem ao mar. Enfim, no longe surgiu uma casa de teto alto com muros rastejando entre flores douradas: era o pouso do acaso. Só não fui ao teu quintal... tive medo.
Maçãs Negras
Sonhei com o teu quintal
coberto de ramagens
ofertando maçãs negras
e de repente senti
o meu coração estrangeiro.
Longe do meu tempo
à revelia dos sonhos,
levei adiante o destino,
fui a Damasco e Chipre
'Sem chorar os mortos'.
Depois voltei sozinha
num barco de quilha azul
sobre águas de marfim
só para ver no inverno
rios chegarem ao mar.
Enfim, no longe surgiu
uma casa de teto alto
com muros rastejando
entre flores douradas:
era o pouso do acaso.
Só não fui ao teu quintal... tive medo.
Arte e Editoração: Cláudia Cordeiro Reis
Do livro, Maçãs Negras. Recife: Bagaço, 2001
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