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PESSOAS
E COISAS
Geraldino Brasil
Há coisas tão desprezadas
que lembram pessoas em abandono. |
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Assim o tijolo que sobrou da
construção, o retrato além |
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do número e que ficou entre estranhos na gaveta |
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do fotógrafo, a palavra no diciononário, vizinha |
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da que saiu para o poema. |
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E mais a palavra sem
acolhimento pelo próprio ouvido; o |
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poema no canto da mesa, excluído do livro a publicar, |
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e o morto do outro enterro. |
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Mas há pessoas em tal
abandono que lembram coisas |
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desprezadas, Senhor, que não ouso expô-las no |
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poema, receoso de que, descobrindo-se ao sol, |
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duvidem |
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da tua Justiça e da tua
Misericórdia. |
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Do livro,
Cidade do Não. Recife: Edição
do Autor, 1979
Arte e Editoração: Cláudia Cordeiro Reis
Ilustração:
Portinari (São Simão Stock Carmelita -
detalhe) |
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Plataforma
para a Poesia
Sítio Virtual
Pernambucano da Poesia Contemporânea em Língua Portuguesa
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