Três Poemas de 

 

Uma  coisa  branca. Eis o meu desejo.

Dante Milano

 

 

Branca é a página onde escrevo

com ódio, amor, desespero,

branco, o papel onde as letras

põem o luto que há no texto.

 

 

Branca é a chama que não queima,

mas que o espírito incendeia,

fustigando-lhe as certezas

com fáusticas labaredas.

 

 

Branca, a fronte que se alteia

e após se inclina ante o peso

de uma vida cujo espelho 

reflete a imagem do medo.

 

 

Branco, o espaço onde latejam,

o sol, a lua, as estrelas;

branco até mesmo o conceito

de que cega é a luz do preto.

 

 

Branco, afinal, o arremedo

dos lábios que não se beijam

e sobre os quais jaz o selo

de um asco sem endereço.

 

 

 
 
Arte e Editoração: Cláudia Cordeiro Reis

Poemas Reunidos. Rio: Record, 1999.

Capa: Record

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