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José
Nêumanne lançará em Recife, quinta-feira, dia 9 de dezembro de
2004, a partir das 18:30h, na Livraria Cultura,
o seu mais recente romance já com o aval
da Crítica Literária Brasileira. Leia mais!
Ouça o convite de
viva voz do Nêumanne. Clique na figura e
aguarde carregar:
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Se você mora
em Recife, não perca o lançamento do dia 9 de dezembro,
quinta-feira, a partir das 18:30h, na Livraria Cultura, no Paço
Alfândega. Fale
com o Nêumanne . Clique no
envelope. |
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| Affonso
Romano de Sant'Anna (O Globo) : |
Lembram-se do filme “Invasões
bárbaras”, de Denys Arcand, aliás mencionado no livro? É o
que há de mais próximo para lhes passar a idéia do livro de Nêumanne
que realizou, de modo original, aquilo que tantos tentaram —
“o romance de minha geração”. |
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| Caio Porfírio
Almeida (Linguagem Viva): |
Quando
se termina a leitura de um livro como este O
Silêncio do Delator, de José Nêumane (A Girafa Editora,
SP, 2004), pode se fazer muitas conjecturas. Pode-se emitir inúmeras
opiniões elogiosas. E se pode apenas redigir uma síntese
originalíssima: é um livro maravilhoso!
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| Carol Almeida (JC) |
Um dos vários produtos do pop
citados no livro O Silêncio do Delator, do escritor
paraibano José Nêumanne, é o filme Invasões Bárbaras, do
canadense Denys Arcand. A citação é rápida, quase sem importância
dentro da trama, mas é necessário que se perceba como a
estrutura narrativa do filme e do livro são semelhantes em sua
premissa. Ambos têm na morte um elemento unificador. |
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| Deonísio da Silva
(JB) |
Em perfeita homologia com o
Brasil contemporâneo, o romance de Nêumanne deu prosa
fascinante ao constatado pela síntese poética de Pedro Paulo
de Sena Madureira em Vítimas da Luz: "Temos saudade?/ Não.
Temos raiva./ Erramos tudo/ e confessamos./ Confundimos as
trevas,/ somos pedras em guerra./ Todas as estradas nos
desgarram,/os abismos nos reconduzem".
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| Ipojuca Pontes
(WSCOM): |
Como dito acima, "O Silêncio
do delator" é o almejado romance do início do século XXI
que expõe, como num strip-tease cruento, o inventario de uma
geração - justamente a que hoje detém o poder, oficial ou não.
Não é tafefa fácil nem pouco ambiciosa. Devemos agradecer ao
autor por ter sabido enfrentá-la com coragem, engenho e arte. |
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| Ruy Fabiano (Estadão) |
Apesar do tom crítico e
desencantado, o romance é uma comovida homenagem àquela década,
na evocação de seus poetas, líderes, idéias e ideais. Para
contar essa história, Nêumanne recorreu a artifícios formais
complexos, que, mesmo sem essa pretensão, inovam a narrativa
romanesca brasileira contemporânea.
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| Wilson Martins
(Gazeta do Povo): |
José Nêumanne Pinto assume o
seu lugar entre os mestres do romance contemporâneo, tanto mais
que tudo resulta de rigorosa planificação. |
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Fragmento
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(Capítulo 18, p 382
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A VOZ DO MORTO
Mas
eu sou obrigado a reconhecer, Paulão, Paulinho, que foi nosso
espírito folgazão, que foi nosso descompromisso com a rotina e
com a chatice que dotou a publicidade dos tempos pós-modernos
do que ela tem de mais característico: sua característica
primordial de grande lavanderia de cérebros.
As
toneladas de sabão em pó que lavam mais branco que desabaram
sobre nossas cabeças, sem que sequer o percebêssemos,
reduziram a zero nossa capacidade de distinguir entre um produto
e outro pela qualidade. Não iríamos querer que, dessa maneira,
pudéssemos ter preservado nossa incipiente capacidade crítica
em relação à máquina que promove a cada segundo de nossas
vidas, que invade a tela do computador no trabalho e a da
televisão no quarto de dormir, tivesse resistido à avalanche
de espuma branca, fofa e cheirosa. Certo? Seria mais estúpido
até do que resistir a isso esperar manter, tal tem sido o
volume da avalanche. Os milhões de sorrisos estúpidos
produzidos por um dentrifício cuja qualidade vendida como prodígio
da tecnologia, enquanto não passa de mais um feito para o
cartel do marketing produtivo, humilham nossa dor, tornam
insignificantes nossos problemas cotidianos e nos transformam
numa espécie de escravos da euforia. É como se um deus
malvado, um senhor de todos os risos, impusesse um édito ao gênero
humano: é proibido chorar, é proibido sofrer, não se lamente
nunca, seu filho da puta. Se todo mundo é feliz, por que você
não tem competência para festejar, para comemorar?
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Fragmento
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(Capítulo 6, p.
149)
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A VOZ DO MORTO
Elsa
era uma pessoa permanentemente surpreendente. Encontrá-la mais
uma vez era como se fosse encontrá-la pela primeira vez. Sua
chegada provocava uma sensação de frescor. Como abrir uma
porta e entrar uma lufada de ar. Como abrir uma janela e tropeçar
num raio de sol. Nesse ponto de vista, todo dia era aniversário
dela. Pois ela era a metáfora carnal da vida. E a vida faz
aniversário todo dia. Dizer que ela me pertence, como Dylan no
título da canção que a retrata, mais que isso que a flagra,
era um excesso de pretensão, um excesso de ambição. Elsa não
pertence a ninguém, nem a si mesma, nem aos filhos ou ao lar,
que abandonou uma vez e não quer mais abandonar. Como a vida,
de que é a melhor metáfora disponível, Elsa não tem dono, não
tem hora nem lugar.
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