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Affonso Romano de Sant'Anna (06.11.2004 - O Globo), Álvaro Alves de Faria (inédito); Astier Basílio; Bráulio Tavares (Jornal da Paraíba, 23.12.04  ); Caio Porfírio Carneiro (22.11.04); Carol Almeida (Jornal do Commercio - 24.10.04), Cláudia Cordeiro Reis (revista Continente Multicultural - nas bancas em jan.2005), Deonísio da Silva (12.10.04 - Jornal do Brasil //  21.12.04 - Observatório de Imprensa); Eustáquio Gomes (23.01.2005-Correio Popular de Campinas);  Ipojuca Pontes (08.10.04 - Gazeta Mercantil); José Alcides Pinto, (19.03.2005, Diário do Nordeste); Júlio Daio Borges, (02.2005, Rascunho); Luiz Augusto Crispim - (07.01.05 -Correio da Paraíba) Martinho Moreira Franco   (14.11.04 - O Norte, João Pessoa), Nei Leandro de Castro (02.02.2005-Tribuna do Norte), Ruy Fabiano (09.10.04 -Estadão), Sérgio de Castro Pinto (Blocos Online), Walter Fontoura (09.10.04 - Folha de São Paulo), Wilson Martins (22.11.04 - Gazeta do Povo// O Globo)

 

            

A união faz a (boa) música

José Nêumanne Pinto e Antônio Barros estão compondo músicas juntos, em São Paulo

Acesso a músicas

Antônio Barros e Cecéu "a eterna companheira" 

Astier Basílio

© Jornal da Paraíba, sábado, 2 de abril, Caderno Arte e vida, Página 1

 
 



            Show no Olímpia. Zé Ramalho em uma de suas melhores apresentações. Numa mesa, estão duas personalidades paraibanas, referências nas áreas em que atuam. Um das letras, o outro da música. O escritor e jornalista José Nêumanne Pinto, ao lado do compositor Antônio Barros, que privava da companhia de sua eterna companheira Cecéu, além da também cantora e filha do casal, Maíra. A atmosfera era plenamente propícia para que os deuses da inspiração bafejassem bons ventos. A conversa entre o poeta e o compositor girou em torno da pauperização e vulgaridade reinantes na cultura brasileira e conseqüentemente na música regional nordestina. O quadro está tão desanimador que o autor de grandes sucessos como "Homem com H" confessou ao amigo o desejo de "pendurar as chuteiras", haja visto que atualmente não é possível fazer frente ao chamado "forró de plástico" cearense.

           Logo após a desalentada confissão, Antônio Barros faz outra revelação ao amigo: "Tentei musicar poemas seus de barcelona, borborema, mas não achei nenhum que se adequasse à melodia". A conversa, felizmente, não parou por aí. E eis que o desafio foi lançado. Antônio Barros pediu a Nêumanne que compusesse letras com o fim exclusivo de serem musicadas. Só foi preciso uma semana para que o autor de "Seara de Saramago" enviasse duas letras. O ânimo e o entusiasmo tomaram conta da nova dupla, pois, Antônio Barros com pequenas modificações, pôs música e ritmo em um baião e numa marchinha junina. "O popular não tem que ser forçosamente vulgar". Esta expressão foi a pedra de toque que norteou os novos parceiros da música popular nordestina.

               José Nêumanne Pinto é um artista que não hesita em enfrentar desafios. Poeta de prestígio nacional, havia lançado um romance Veneno na Veia no qual, segundo seu parecer, o vezo jornalístico acabou por, de alguma maneira, comprometer a prosa. Ano passado lançou O Silêncio do Delator, romance que vem amealhando uma respeitável fortuna crítica com pareceres de medalhões da crítica literária nacional como Wilson Martins e Affonso Romano de Santa'Anna. Agora se aventura na seara insidiosa da composição musical.

            Retomando a antiga e constante querela a respeito de que poema e letra de música são coisas distintas ou não, Nêumanne, que foi contactado pela reportagem do JORNAL DA PARAÍBA, revela que descobriu algo novo. "Poesia é liberdade total, voar em pleno espaço. Letra de música é prisão ao ritmo, à rima, ao tema. Uma gaiola onde o pássaro pode ser belo e feliz, mas não tem liberdade para voar pela amplidão", opina Nêumanne.

              O compositor Antônio Barros falou com exclusividade à nossa reportagem e disse que em princípio sempre achou muito difícil musicar poemas, posto que a estrutura das estrofes é muito peculiar, impedindo a fluência rítmica, essencial para a composição musical. "Bom, eu pedi pra ele mandar umas letras com uma métrica, com compassos de quem estivesse cantando. Aí, como a composição é a minha praia, ficou bem mais fácil", relata Barros.

              Para o escritor, cada letra composta para Antônio Barros trouxe para ele a reafirmação de que letra de música e poesia são gêneros diferentes. "Tenho poemas musicados por parceiros. Gereba musicou 'Na casa avoenga'. E Zé Ramalho, parte de 'Poeira de estrelas'. São canções e o ouvinte não perceberá. Mas não são letras. São poemas. Algo completamente diferente das letras que fiz para Antônio Barros", esclarece Nêumanne.

              A parceria continua. Além da marchinha junina e do baião, Nêumanne escreveu uma letra baseada num verso de Antônio Barros, feito para a filha Maíra. Não é um forró, mas uma música romântica. "Nêumanne nem sabe que eu já coloquei música", revela Antônio Barros.



 
 

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CD Plataforma para a Poesia - Poemas Indispensáveis - Apresentação de Deonísio da Silva © Todos os direitos reservados para o projeto Plataforma para a Poesia, pelos poetas Alberto da Cunha Melo, Astier Basílio, Domingos Alexandre, Eduardo Martins, Geraldino Brasil (espólio), Gilberto Mendonça Teles, Ivo Barroso, José Nêumanne, Marco Polo e pelo compositor e violonista Isaac Costa. Ouça algumas faixas. Clique aqui.

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