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Affonso Romano de Sant'Anna (06.11.2004 - O Globo), Aleilton Fonseca (18.06.2005, Jornal do Brasil), Álvaro Alves de Faria (inédito); Antônio Olinto (Tribuna de Imprensa, 20.07.2005); Bráulio Tavares (Jornal da Paraíba, 23.12.04  ) Caio Porfírio Carneiro (22.11.04), Carol Almeida (Jornal do Commercio - 24.10.04), Cláudia Cordeiro Reis (revista Continente Multicultural - nas bancas em jan.2005), Deonísio da Silva (12.10.04 - Jornal do Brasil //  21.12.04 - Observatório de Imprensa); Eustáquio Gomes (23.01.2005-Correio Popular de Campinas); Henrique Veltman (Imprensa Livre, SP)  Hugo Pontes (01.06.2005 - jornal Mantiqueira, página 1 do Caderno Variedades);  Ipojuca Pontes (08.10.04 - Gazeta Mercantil); José Alcides Pinto, (19.03.2005, Diário do Nordeste); Júlio Daio Borges, (02.2005, Rascunho); Luiz Augusto Crispim - (07.01.05 /08.06.2005-Correio da Paraíba) Marcus Vinícius Vilaça (25.08.2005-ABL) - Martinho Moreira Franco   (14.11.04 - O Norte, João Pessoa), Nei Leandro de Castro (02.02.2005-Tribuna do Norte), Roberto Romano (junho.2005, n. 92, revista Cult); Rômulo Azevedo (04.06.2005 - Jornal da Paraíba); Ronaldo Cagiano (22.07.05 - Estado de Minas)/ Ruy Fabiano (09.10.04 -Estadão), Sérgio de Castro Pinto (Blocos Online), Walter Fontoura (09.10.04 - Folha de São Paulo), Wilson Martins (22.11.04 - Gazeta do Povo// O Globo)

O romance O Silêncio do Delator conquistou, em 14 de julho de 2005, o Prêmio Senador José Ermírio de Moraes

ABL - Por que o Prêmio José Ermírio de Moraes foi para José Nêumanne 

 

 

Marcos Vinicios Vilaça

© Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, quarta-feira, 14 de setembro de 2005, Caderno B, p.B7         

 
     
 

              Aqui estão dois Nordestes: um é o Nordeste do doce, do massapê, da chuva grossa, do maracatu, da prataria, dos santos barrocos; outro, é o dos homens encoletados em couro, de rios secos, de chuva magra, dos xaxados, dos coronéis de boiadas de boi e de boiadas de voto, um mundo onde não há luxo, que o luxo não é de sertanejo. 
             Um é o Nordeste de José Ermírio de Moraes; o outro é o Nordeste de José Nêumanne. 
            O Prêmio José Ermírio de Moraes outorgado este mês a José Nêumanne, pela Academia Brasileira de Letras, está na sua 11ª edição. Por ele já passaram, entre outros, Roberto Campos, Wilson Martins, Evaldo Cabral de Melo, Cícero e Laura Sandroni. 
           A nordestinidade é, de nossa parte, um ato de convicção e constância, uma forma de vitalidade histórica. Com esse sentimento, exalto a Paraíba de José Nêumanne, ''pequenina e heróica'' de todos os tempos. Louvados sejam o Ponto de Cem Réis e a festa das Neves, o Treze de Campina e o bar do Onaldo, Vidal de Negreiros e o ''Velho Capitão'', as bagaceiras dos engenhos - tema para um dos maiores clássicos da língua portuguesa, escrito por um saudoso acadêmico - e Dom Vital, Zelins e Ariano, Celso Furtado e Augusto dos Anjos, a Borborema e o Cabo Branco, Elba Ramalho e o Teatro Santa Rosa, onde Gilberto Freyre fez a primeira conferência de sua vida. 
          Louvo o escritor José Nêumanne por não ter faltado com o seu esforço para que nada disso se apergaminhasse na memória dos homens. 
          Quando José Ermírio de Moraes, filho de viúva, deixou as comodidades de menino de engenho e a tradição do bacharelado em direito, largando-se para estudar engenharia nos Estados Unidos, traçou a sua história de valoroso tycoon da indústria brasileira. Não desatendeu aos deveres da cidadania. Fez-se político, senador e ministro de Estado. Declarou-se compromissado com o desenvolvimento social e não só com o crescimento econômico. Deu à família essas responsabilidades e refiro três exemplos da sua boa sangüinidade: a Beneficência Portuguesa, a AACD e um Prêmio literário que tem o seu nome. 
          Nesta edição do Prêmio José Ermírio de Moraes, foi difícil escolher um ganhador. De um lado, havia o culto à democracia como face ostensiva de José Nêumanne. Do outro, o espetáculo de preservação da história, em livro admirável de Arno Wehling: Direito e Justiça no Brasil Colonial. 
          Acredito que não fomos pelo caminho rigoroso do mérito, pois daria empate entre a democracia e a memória. Fizemos uma opção, diante de tantos merecimentos de parte a parte. 
          Enfileiro alguns aspectos relevantes em José Nêumanne: o senso de visão ampla, na antologia dos melhores poetas brasileiros do século; e a astúcia de unir Bob Dylan, os Beatles e Caetano Veloso, como embrulhara num mesmo saco Barcelona e Borborema, Gaudi e o forró. 
           O crítico Wilson Martins diz de O silêncio do delator, o livro que consagramos, ter inovado o romance contemporâneo tanto na temática quanto nas técnicas narrativas. 
E o acadêmico Antônio Olinto, louvando o livro, observa que, para entender qualquer realidade, é preciso atentar para a sua correspondente ficção, que é uma verdade. E dela vem. 
           José Nêumanne produziu o silêncio sonoro do seu protagonista. Diz, fingindo que está calado. Quase lembra a sentença perfeita de Eduardo Portella: o silêncio é o mais dizer, é o que se diz naquilo que se cala. 
         Acredito que o jornalismo facilitou a José Nêumanne conhecer o homem e isto facilitou-lhe a arte no romance. Ele transferiu o datado para o transtemporal. 
Sua intolerância à tirania tem simetria com o que falou Roberto Romano sobre O silêncio do delator, ao alegar que os tiranos odeiam o riso pois o riso é estranho e intolerável. 
          Por isso, José Nêumanne deve continuar, como é do seu jeito de ser, transgredindo tudo aquilo que lhe parecer ''direitinho''. Sempre encontrará um cânone em sua rota, pois sem o cânone só haverá o caos. E do caos ele não gostaria. Espero um ensaio seu e isto é um afetuoso desafio. 
           O passado autoriza a nós, acadêmicos, recusar anemias no fazimento do presente e na formatação do futuro. O novo nos interessa. A tradição da nossa Academia não é feita de ancoragem de horas, mas da libertação da palavra. Sem pressa e sem descanso. 
          Não somos nem esféricos, nem monolíticos. Temos as assimetrias da existência, mas sem falhar na missão histórica. Haveremos de conciliar o apolíneo com o dionisíaco. 
         A imortalidade que existe na Academia Brasileira de Letras é a da palavra. Premiamos agora a palavra de José Nêumanne e cuidamos em honrar a memória de José Ermírio de Moraes, um homem de palavra. 


• A coluna da ABL é publicada às quartas 

 

       


        

 

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 e leia também o discurso de José Nêumanne proferido durante a mesma solenidade  
 

 "O silêncio do delator", de José Nêumanne, lançamento da editora "A Girafa". diagramação de Alessandro Mussato, capa de Newton César, acaba de conquistar o Prêmio Senador José Ermírio de Moraes da Academia Brasileira de Letras.

 
     
     
     
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