José Inácio Vieira de Melo

 

É um cordeiro no trânsito dos dias

a buscar equilíbrio entre um monstro e outro,

não como se apóiam as cabras nos altos dos  lajedos

nem como a lavandeira na baronesa fresca e leve,

o desgarrado mancebo oscila

no descaso das bestas-feras urbanas.

 

E sonha:

é o pastor que tange a lira da sorte,

que derruba um gigante por dia

e que encanta com sua dança nua

Betsabás, Brigittes e Bethânias.

 

E sonha:

pastor, príncipe e poeta.

Catarinas, Camilas e Carolinas,

todas as princesas suspiram

pela melodia da sua flauta.

 

 

(No livro A terceira romaria. Salvador: Aboio Livre, 2005, p. 58)

 

 

Editoração de Cláudia Cordeiro Reis

Ilustração de Ramiro Bernabó

 

 

 

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