

Ipara SchneiderQuero ir ao restaurante de janelas quebradas e teias de aranhacom minhas túnicas paquistanesas de peitilhos espelhadosmeus pés descalços sobre teu coração exposto nos degrausquero dançar como antes sob a luz estroboscópicaquero gravar um cd de exercícios espirituaisse alguém prefere ver meus seios a ler os meus livrosmelhor jogar com paixão as pedras do meu dominódeixa que eu ponha açúcar no teu chá de canelao mal que já me fizeram não poderá se apagarquem vai pagar a metade desse prejuízoquem vai saber a metade deste precipíciopasso a compreender teus jogos de subterfúgiomas prefiro a sinceridade dos rostos dos hospitais públicosfiz uma mudança radical em minha agenda telefônicae agora só me interessa o que for essencial

O PRIMEIRO ROMÂNTICODe nada adiantouteu romantismoexpulsando do temploos vendilhõesdois mil anos depoissomente os ricostem direito a comerpelo nataleles trocam presentesjunto à árvoreno solstício de invernodos pagãoseles trocam presentesem dezembroe o mundo continuasem ter paze quem ousa dizerfraternidadeentre tiros e bombase explosões ?Crianças miseráveisnas janelasdo morro e das favelaspedem pãosonhando um mito nórdicona noiteterrível de um Brasilsem soluçãoe quem ousa dizerfraternidadeno presépio/calvárioda nação ?Violência e egoísmosão as regrasde uma terra a girarno céu azule quem ousa dizerfraternidadesem aprender a amaro seu irmão ?Teu corpo retiradodo calvárioas cordas sobre a cruze o PaquistãoMaria na\ Turquiae os muçulmanosmorrem na guerrado Afeganistãosão tempos de clonagemJoão Batistade mãe que não podiaconceberde mãe que era uma virgemJesus Cristonasceu na manjedouraGlória ao Paide nada adiantouteu romantismomultiplicando o vinhoem Canaãdois mil anos depoissomente os ricostem direito a comerpelo Natal

Arte e editoração: Cláudia Cordeiro ReisBrasil, 31 de dezembro de 2002.