A chuva enxágua as calçadas
da sexta-feira
deserta.
Encharcada, a miséria se abriga
sob os pórticos das igrejas
antigas
pintadas de novo
— preciosamente preservadas —
sombria imagem de esquecidos.
Não há páscoa, nesta cidade
de vivos-mortos.
Sem ressurreição e sem saída
aqui é sempre
— e todo dia —
sexta-feira da paixão.Márcia Maia
