Clóvis Campêlo

HAI-KAI   Dois poemas: TESE e ANTÍTESE No Recife Antigo  

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AUTO-RETRATO

 

 

Sou a reta e sou a curva,
a mão esquerda e a direita,
o verão na praia do Pina
e a chuva que adoça o caju.

Sou a revolução que não houve,
as dúvidas da certeza 
e a alegria das dúvidas.

Sou o pai e sou o filho,
o vento que anuncia tempestades,
o raio que corta o céu ao meio
no meio da tarde.

 

Sou martelo agalopado,
entidade de corpo fechado,
soneto na nova medida
e a bandeira de São João.

Sou Elefante e Pitombeiras,
sou o Galo da Madrugada,
sou o barulho da feira
e o som da procissão.

 

 

 

 

 

 

Sou o amarelo de Nossa Senhora
e o azul de Iemanjá,
sou calmaria sem vento,
sou selva de pedra e cimento
e relva plantada no chão.


Sou o tudo e sou o nada,
o silêncio e a batucada,
sou o sul e sou o norte,
faca cega e navalha de corte.

Eu sou o fogo da vida,
eu sou o sopro da morte.

Clóvis Campêlo
20/10/2006

 

 

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