Gilberto Mendonça Teles

 

Modernismo
 


No fundo, eu sou mesmo é um romântico inveterado.
No fundo, nada: eu sou romântico de todo jeito.
Eu sou romântico de corpo e alma,
          de dentro e fora,
de alto e baixo, de todo lado: do esquerdo e do direito.
Eu sou romântico de todo o jeito.


Sou um sujeito sem jeito que tem medo de avião,
um individualista confesso, que adora luares,
que gosta de piqueniques e noitadas festivas,
mas que vai se esconder no fundo dos restaurantes.


Um sujeito que nesta recta de chegada dos cinquenta
sente que seu coração bate tão velozmente
que já nem agüenta esperar mais as moças
da geração incerta dos dois mil.


Vejam, por exemplo, a minha carta de apaixonado,
a minha expressão de timidez, as minhas várias
tentativas frustradas de D.Juan.
Vejam meu pessimismo político,
meu idealismo poético,
minhas leituras de passatempo.


Vejam meus tiques e etiquetas,
meus sapatos engraxados,
meus ternos enleios,
meu gosto pelo passado
e pelos presentes,
minhas cismas,
e raptos.
Vejam também minha linguagem
cheia de mins, de meus e de comos.
Vejam, e me digam se eu não sou mesmo
um sujeito romântico que contraiu o mal do século


e ainda morre de amor pela idade média
das mulheres.


(&cone de sombras, 1986,p.153.)

 

 

Criação
 


O verbo nunca esteve no início
dos grandes acontecimentos.
No início estamos nós, sujeitos
sem predicados,
             tímidos,
                      embaraçados,
às voltas com mil pequenos problemas
de delicadezas,
                  de tentativas e recuos,
neste jogo que se improvisa à sombra
do bem e do mal.


No início estão as reticências,
este-querer-não-querendo,
os meios-tons,
              a meia-luz,
              os interditos
e as grandes hesitações
que se iluminam
              e se apagam de repente.


No início não há memória nem sentença,
apenas um jeito do coração
enunciar que uma flor vai-se abrindo
como um dia de festa, ou de verão.


No início ou no fim (tudo é finício)
a gente se lembra de que está mesmo com Deus
à espera de um grande acontecimento,
mas nunca se dá conta de que é preciso
ir roendo,
        roendo,
              roendo
um osso duro de roer.

 

Salve o autor de Hora Aberta nesta data de seu aniversário e de sua poesia! Homenagem Plataforma ao Mestre e Poeta nos  50 anos de seu Alvorada (1955).

Plataforma para a Poesia, 30 de junho de 2005.

Leia a entrevista exclusiva concedida por Gilberto Mendonça Teles às nossas Trilhas Literárias - clique aqui!


 

Mensagens 

 

                    "Meu querido professor Gilberto! Como aprendi literatura brasileira da boa com o senhor naqueles gloriosos anos de 1975 e1976, em Porto Alegre, na PUC! Cursos curtos, intensos, depois das aulas íamos beber cerveja com sal à beira do Rio Guaíba, o senhor se lembra disso? Eu nunca esqueci! Derramávamos um cadinho de sal nas bordas da latinha e sorvíamos cerveja em tão boas companhias, assistidos pelo Sol que se punha naquelas águas vermelhas! Tenho um cadernão com todos os contos de Machado de Assis e de Guimarães Rosa resumidos, anotados, esquematizados, um belo guia de leitura até hoje! O conto é muito mais difícil de amarrar do que o romance. Mas um livro de contos oferece uma variedade que o romance não comporta. Podemos ter muitos temas num livro de contos, e um tema apenas, ou poucos, no romance! Esta me parece a principal diferença. Mas acho que até isso foi o senhor quem me ensinou! Aprendo também com sua poesia, que como todos sabem é de altíssima qualidade. Com seus ensaios e principalmente com sua modéstia, sua generosidade, que o levou a escrever um ensaio estupendo sobre a presença de Camões na poesia brasileira. Ou, como o senhor diz em A Hora Aberta: poemas reunidos, no poema Linguagem: "a força (não a farsa/ do cavalo sem ventre/ ou a que sai da caixa/ com sua mola e dente),/ a que se decompõe,/ se une e ramifica,/ essa que tem seu ontem/ rosnando na barriga". Meu ontem, aqueles idos dos anos setenta, querido professor Gilberto, com freqüência rosnam em minha barriga lembrando que meus melhores professores estavam no Brasil meridional, mesmo que não fossem de lá, como o senhor, que é da terra de queridos escritores como Antonio José de Moura e Miguel Jorge, Yeda Schmaltz, do glorioso arquipélago literário de Goiás."

De Deonísio da Silva em entrevista coletiva concedida com exclusividade para as nossas Trilhas Literárias. Leia mais! Clique aqui!
Cláudia,
Alegro-me com o aniversário do poeta Gilberto Mendonça Teles e de sua bela e robusta poesia, nascida no coração do Brasil! Admiro essa trajetória que mistura literatura e magistério, com paciência e dedicação, com entrega total da própria vida. Sinto-me grata por ter merecido sempre a atenção e a palavra de incentivo do grande mestre.
Abraço fraterno,

Raquel Naveira na Plataforma. Clique aqui!
Gilberto Mendonça Teles: Poeta brasileiro! Que privilégio termos entre nós um homem desta sensibilidade! 
Que galhardia tê-lo, como eu tive, como meu Mestre, meu orientador, meu companheiro nas longas pesquisas em Drummond. Sua poesia aniversaria, mas os parabéns devem ser nossos por termos um ser gigante e sensível como ele enlevando de poesia nossas almas.
Regina Souza Vieira por e-mail

 

 

ROTEIRO DAS HOMENAGENS

GILBERTO, 50 ANOS DE LITERATURA

 

1.      Academia Goiana de Letras, Goiânia, Seminário de 27 a 29 de julho, encerrado pelo presidente da Academia Brasileira de Letras.

2.      Grupo Pe. Leonel Franca, PUC-Rio, em 30 de agosto.

3.      Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, em 28 de setembro.

.          4.   Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, Goiânia, em 28 de julho.

5.   Academia Brasileira de Filologia, em 17 de setembro.

6.   Academia Matogrossense de Letras: sócio correspondente, em 21 de setembro.

7.      Universidade Federal de Goiás, Campus de Jataí, GO, em 27 de setembro.

8.      Academia Jataiense de Letras, em 27 de setembro

9.      Universidade de Rio Verde, GO, em 29 de setembro.

        10.   Revista Brasileira, da A. B. L.,  nº 44, ensaio  de Ricardo Vieira Lima.

11.    Academia Bela Vistense de Letras: sócio benemérito, em outubro.

12.    Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora, em 7 de outubro.

13.    PUC do Rio de Janeiro, Exposição e Seminário,  em 13 de outubro.

14.    Universidade Católica de Goiás, Diplooma de Mérito, em 18 de outubro.

        15.   Academia Carioca de Letras, em 16 de novembro.

        16.   Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, Troféu Aimberê, em 17 de novembro.

        17 .  Café littéraire” na Université de Haute Bretagne, França, em 30 de novembro.

        18.   Entrevista ao site Palavrarte, em novembro.

19.   Título de Professor Emérito da Universidade Federal de Goiás.

20.  Site Plataforma da Poesia, em novembro.

21.   Número especial da revista Poesia para todos, em novembro.

22.  Livro de Darcy França Denófrio, O redemoinho do lírico, Estudo sobre a poesia de   Gilberto Mendonça Teles. Petrópolis: Vozes, 2005, 370 p.

23.  Livro de Maria Luzia Sisterolli, Os álibis da Hora aberta, tese de doutorado. Rio de Janeiro: Edições Galo Branco (Coleção Ensaio, vol. 8), 2005, 224 p.

24.  Livro de Neuza Machado, Criação poética: tema e reflexão sobre a obra poética de Gilberto Mendonça Teles. Rio de Janeiro: 2005, 88 p.

25.  Alvorada, edição fac-similada. Goiânia:  Academia Goiana de Letras, 2005, 110 p.

 

26.  Entrevista a Ricardo Cravo Albim, TV Rede Vida, canal 26, em 9.11.05.

27. Coleção Gilberto Mendonça Teles / 50 Anos de Poesia, da Edições Galo Branco:

           a —  Sortilégios da criação, discursos de Nelson Mello e Souza e Gilberto Mendonça Teles na Academia Brasileira de Filosofia, 2005, 76 p.

           b —  O selo do poeta, de José Fernandes, 2005, 352 p.

           c —  O signo de Eros na poesia de G.M.T., tese de mestrado, de Maria de Fátima Gonçalves Lima, 2005, 138 p.

           d —  Das margens do corpo ao corpo da linguagem, tese de mestrado, de Valdenides Cabral de Araújo, a sair.

           e —  Os álibis e as janelas do invisível,  mestrado, de Luciana Netto Sales, a sair.

           f —   Tradição e vanguarda na poesia de Gilberto Mendonça Teles, tese de mestrado de Jurema Coutinho Braga, a sair.

         Em preparação: Gilberto: 50 anos de literatura, a sair em fevereiro de 2006.

 

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