![]() |
|
LUÍS VENTURA Atenção! Esses poemas foram editados com imagem e som (MP3), ao acessá-los, aguarde carregar o arquivo.
|
|
|
|
Recebi,
de uma pessoa que me era muito cara, o pedido póstumo de editar seus
versos. Faço-o agora, não só. para cumprir com seu desejo, mas ainda
por julgar - embora me falte senso crítico para tanto - que estes versos
possuem qualidades capazes de sensibilizar outros leitores além da pessoa
a quem se destinam. LUÍS
(Augusto) VENTURA (dos Santos) ficou órfão de pai aos 8 anos em sua
Oliveira de Azeméis, na Beira Litoral, e eu, na condição de seu tio e
padrinho, promovi sua vinda para o Brasil, onde ele encontraria certamente
melhores oportunidades de vida. Até terminar seus estudos secundários,
viveu em nossa companhia e nos ajudava na oficina de trabalhos gráficos.
Contudo, uma manifesta vocação para as letras e o ensino, levouo a
procurar vários empregos, para, mais tarde, dedicar-se exclusivamente à
carreira de professor de português e inglês, profissão que exerceu em vários
Estados do Brasil. Foi
no Sul que conheceu a inspiradora de seus versos, com quem teve, a julgar
por eles, um romance de curta duração, porém intenso, que só não se
realizou plenamente por impedimentos familiares da parte dela. Para
afastar-se da situação que lhe causava infortúnio, .
Luís retomou, após 25 anos, a
Portugal, mas de lá manteve contacto telefônico com sua amada, que
chegou a visitá-l o uma vez, embora desse encontro não tivesse resultado
nenhuma união mais duradoura. Com a saúde já bastante debilitada pelo fumo - era um tabagista inveterado - Luís, fiel a seu amor, recolheu-se à sua terra de infância, onde faleceu de mal cardíaco, aos 39 anos, sempre só e com a assistência apenas de um familiar distante, que me comunicou o desenlace e me enviou estes versos a seu pedido. Na carta que os acompanhava, Luís incumbia-me de editar seus manuscritos e dar-Ihes uma destinação prescrita: "Querido e saudoso Tio, esta carta só lhe chegará às mãos quando eu já tiver partido. Além da eterna gratidão por tudo o que fez por mim, deixo-lhe o espólio do meu infortúnio: estes pobres versos que nasceram de um amor contrariado. Peço fazer com eles uma pequena edição de dez ou doze exemplares apenas. Mande-os às bibliotecas do Rio Grande cuja relação envio junto. Talvez um dia sua inspiradora os possa ler sem que isto lhe afete a situação doméstica, razão pela qual afastei a tentação de deixar a ela os manuscritos". Foi só. O nome da inspiradora ele jamais o revelou. E só por milagre um exemplar desta pequena edição há de lhe cair nas mãos. Julguei por bem, por se tratar de um poeta português, embora tenha vivido grande parte de sua existência no Brasil, que devesse mandar exemplares também para as bibliotecas de Lisboa e de Oliveira de Azeméis, bem como para o Real Gabinete Português de Leitura, do Rio de Janeiro. Se a ilustração da capa do livro obedece a um desejo expresso do poeta, a ausência de título levou-me a escolher o que aí está, na esperança de que esta edição póstuma dê aos versos de meu desditoso sobrinho uma espécie de sobrevida com que possa proclamar a firmeza de seu amor.
|