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Abril
Ronaldo Werneck
vem como o frio, vem como em verlaine:
lentos lamentos-violões do outono
ferem minh'alma, farsa em abandono.
saudade da minha mãe.
saudade boa.
vem
e chega com abril
a manhã
o friozinho
o travesseiro
o leve lençol.
vem
e chega
e se aconchega
e fica.
(Rio, 1966, inédito, de Tempos de Mineração)
Arte e editoração Cláudia Cordeiro |