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Álvaro Alves de Faria (Brasil, 1942). Poeta, ensaísta, tradutor, tem também publicados romances e novelas. É jornalista (Jovem Pan - SP/ Rascunho - Curitiba) e escreve para várias publicações estrangeiras, especialmente portuguesas. Autor de livros como Motivos alheios (1983),  O azul irremediável (1992);  À noite, os cavalos (2003) e Trajetória poética (2003),  sua obra já foi traduzida para vários idiomas.

 

 

 

 

 

"Da primeira obra, em 1963, até hoje, são 16 livros de poemas que traçam o perfil de um dos mais atuantes e competentes poetas da 'Geração 60'. Do jovem preso cinco vezes por falar poemas no Viaduto do Chá nos tempos da ditadura ao poeta maduro de hoje, fica esta Trajetória poética testemunhando que nele vida e escrita sempre se fundiram. Quando poetas de sua geração começam a lançar poemas reunidos, a obra de Álvaro é peça relevante para se ter uma idéia da poesia feita entre nós na segunda metade do século XX." Affonso Romano de Sant'Anna, in Trajetória poética: São Paulo, Escrituras, 2003, 4. capa.

 
 

 

CENTENAS DE POETAS 

©  Rascunho, Curitiba, 23 de junho de 2006.

 

Lançamentos de poesia trazem antologia pernambucana e novos versos de autores contemporâneos

 

"Em nenhum momento tive a presunção de esgotar o que há na poesia pernambucana neste volume de 629 páginas. Mas consegui reunir 161 poetas que nasceram em Pernambuco ou que fizeram de Pernambuco seu domicílio literário. Acredito que a mostra é expressiva para a pretensão de um painel mais histórico que crítico, não-seletivo, apenas amostra mesmo."

É o que afirma a ensaísta Cláudia Cordeiro, professora de Literatura Brasileira, que organizou, juntamente com Antonio Campos, Pernambuco, terra da poesia, um painel da poesia pernambucana do século 16 ao 21. O livro faz parte do projeto Vozes Pernambucanas.

Todo mundo sabe que organizar uma antologia poética é dar um mergulho no inferno. Significa arrumar desafetos para o resto da vida. Houve quem utilizasse a expressão "canalha" para se referir a um dos nomes que compõem essa antologia, o que exemplifica bem os ânimos que cercam obras com este feitio.

A verdade é que este livro representa um documento consistente sobre a poesia produzida em Pernambuco, terra de nomes expressivos da poesia brasileira. O crítico e poeta Hildeberto Barbosa Filho observa que o livro "impõe-se como um dos mais ousados projetos de organização da cultura, em especial da cultura literária no segmento da poesia". Explica que não se trata de uma antologia, e sim, de uma coletânea, uma reunião, de um mapeamento da poesia de Pernambuco.

Gilberto Mendonça Teles chama a atenção para o critério de escolha dos nomes reunidos: "Percebe-se a interferência de critérios sutis, psicológicos e analógicos, de gosto, de estilo e de conhecimento estético-literário". Observa que, de qualquer forma, Pernambuco, terra da poesia, "é uma preciosa representação da produção cultural de uma região do Brasil".

Está correto. O livro é isso mesmo, a começar por Bento Teixeira (1550-1600) e Rita Joanna de Souza (1696-1718), até a geração 65, lembrando grandes nomes da poesia brasileira, entre eles Manuel Bandeira, Olegário Mariano, Ascenso Ferreira, João Cabral de Melo Neto, e até Ariano Suassuna e Gilberto Freyre - presente com dois poemas -, sem contar Dom Hélder Câmara. Destaque-se, ainda, que os organizadores incluíram no livro até aquelas figuras que se dizem poetas de uma corrente melancólica e que representa uma espécie de deboche da poesia brasileira.

De qualquer maneira, trata-se de um documento importante. No Brasil pouquíssimas coisas são importantes. Especialmente no que diz respeito à poesia. Neste caso, mais documentos assim deveriam existir, até porque este é um país que cultiva apenas mentiras. Quando aparece algo que não se confunde com a mentira, isso chega a chocar alguns indivíduos que têm poder na cena literária do país.

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Pernambuco, Terra da Poesia. Um painel da poesia pernambucana dos séculos XVI ao XXI

Créditos/fotos: Organizadores: Antônio Campos e Cláudia Cordeiro. Apresentação: Antônio Campos. Prefácio: Hildeberto Barbosa Filho. Orelhas: Gilberto Mendonça Teles. Notas técnicas, pesquisa, compilação de dados e redação: Cláudia Cordeiro. Revisão e atualização ortográfica: Alberto da Cunha Melo, Isabel de Andrade Moliterno, Cláudia Cordeiro (2. ed.). Assessoria técnico-administrativa: Leila Teixeira. Auxiliar de Pesquisa: Ninon Tásia. Editora Escrituras: São Paulo, 2005/2006 (2.ed.)

Iniciativa: IMC - Instituto Maximiano Campos. Patrocinadores: MINC, Chesf, NTE, STE, IMC

Leia mais sobre o Pernambuco Terra da Poesia: DEONÍSIO DA SILVA: Os bons companheiros de Lula. Jornal do Brasil, Opinião, 20.12.2005 Pernambuco, Terra da Poesia. O Escritor,  n. 113. UBE/SP, julho  de 2006, Estante.

 

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Editora e Webmaster: Cláudia Cordeiro

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