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Capa do n. 113, da revista O Escritor

Izacyl Guimarães Ferreira é escritor, tradutor, articulista e editor da revista O Escritor.
Presidente do Conselho Consultivo e Fiscal da União Brasileira de Escritores (UBE), foi membro do Conselho Editorial do jornal da entidade, O Escritor, onde assinava as páginas Poesia, Poetas, Poemas. Este jornal se transforma em revista em 2005, da qual passa a ser o editor. É também o editor do Portal O Jornal da UBE, www.ube.org.br.

 

Pernambuco, Terra da Poesia 

Por Izacyl Guimarães Ferreira

©  O Escritor,  n. 113. UBE/SP, julho  de 2006, Estante.

 

 

O Pernambuco, Terra da poesia "é exemplo a ser seguido e é ainda demonstração de como fazer; pois didático, além do prazer da leitura."

 

Num trabalho por todos os títulos meritório, o Instituto Maximiano Campos vem de publicar (e apresentar em várias cidades o resultado, em multimídia) um painel de cinco séculos da poesia pernambucana. Organizado por dois pesquisadores, os professores Cláudia Cordeiro e Antonio Campos, o livro, em bela edição, vem da Prosopopéia a nossos dias. Advertem os organizadores que não se trata de antologia mas de painel, sem juízo de valor, cabendo a cada autor, seja quem for, basicamente, dois poemas, curtos ou longos, ou títulos – aqui cabendo ora trechos, ora seriais.

Na orelha, oferecida a Gilberto Mendonça Teles, recorda-se o precedente que foi trabalho semelhante do goiano sobra a poesia de seu estado. Belos exemplos, que merecem ser seguidos nas outras províncias da poesia brasileira. Se Pernambuco figura entre os mais ricos – em qualidade como em quantidade – das terras da poesia brasileira, como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará, Rio Grande do Sul, estes e outros estados têm muito a mostrar. O arquipélago famoso continua carente de mais pontes.

Acusa-se muito o “eixo” Rio - São Paulo de exercer uma hegemonia excludente que a rigor não é exercida pelos poetas ou pelos críticos do sudeste. É uma culpa da mídia que aqui se concentra, repartida com a da má distribuição livreira, e com certo desinteresse editorial pela poesia, que repercute na mídia. A internet é a salvação, apenas parcial, deste panorama de mútuos desconhecimentos, com uma conseqüência clara: o prejuízo dos leitores e da nossa
historiografia literária.

No painel em questão, o critério foi múltiplo na filiação – naturais do estado ou migrantes que lá se fixaram. E há um pouco de tudo, desde a primeira peça em versos do país, do português Bento Teixeira Pinto, até uns exóticos equívocos de “poesia visual” – cartões postais, geometrias, estas formas ditas “conceituais” que equivalem às “instalações” das artes plásticas. Mas, recorde-se, o livro não é uma antologia e sim um mostruário. Podemos descartar o menos ou não valioso.

O afanoso trabalho de pesquisa, de compilação, cobrindo quinhentos anos, pode ter deixado de lado algum poeta menor, vivo ou morto. Mas todos os grandes, e são numerosos, estão lá: Manuel Bandeira, João Cabral, Alberto da Cunha Melo, Cesar Leal, Mauro Mota, Carlos Pena Filho, Joaquim Cardoso, Ascenso Ferreira e Olegario Mariano, para ficarmos só com alguns dos nomes mais conhecidos. 

O livro serve a vários propósitos: é demonstração, para que os não iniciados e os não familiarizados prossigam em sua busca; é representativo dos sucessivos modos e mudanças que a poesia pernambucana experimentou ao longo dos séculos ( exemplo de Brasil, neste aspecto ); é exemplo a ser seguido e é ainda demonstração de como fazer; pois didático, além do prazer da leitura.

Trata-se de publicação da editora Escrituras, com patrocínios do MINC, da Chesf, NTE e do próprio Instituto Maximiano Campos.

 

Pernambuco, Terra da Poesia. Um painel da poesia pernambucana dos séculos XVI ao XXI

Créditos/fotos: Organizadores: Antônio Campos e Cláudia Cordeiro. Apresentação: Antônio Campos. Prefácio: Hildeberto Barbosa Filho. Orelhas: Gilberto Mendonça Teles. Notas técnicas, pesquisa, compilação de dados e redação: Cláudia Cordeiro. Revisão e atualização ortográfica: Alberto da Cunha Melo, Isabel de Andrade Moliterno, Cláudia Cordeiro (2. ed.). Assessoria técnico-administrativa: Leila Teixeira. Auxiliar de pesquisa: Ninon Tásia.Editora Escrituras: São Paulo, 2005/2006 (2.ed.)

Iniciativa: IMC - Instituto Maximiano Campos. Patrocinadores: MINC, Chesf, NTE, STE, IMC

Leia mais sobre o Pernambuco Terra da Poesia: DEONÍSIO DA SILVA: Os bons companheiros de Lula. Jornal do Brasil, Opinião, 20.12.2005 Centenas de poetas, por Álvaro Alves de Faria. ©  Rascunho, Curitiba, 23 de junho de 2006.

 

 

www.plataformaparaapoesia.nom.br

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