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Dois
Caminhos e uma Oração agrupa: 'Meditação Sob os Lajedos
- quarto lugar do Prêmio Portugal Telecom de Literatura
Brasileira 2003, publicado em 2002, o poema épico Yacala
de 1999, e Oração pelo Poema, de 1969. Em Dois
Caminhos e uma Oração o rigor formal se alia ao
coloquialismo da linguagem. O denso universo alegórico,
constantemente invadido pelo insólito e pelo grotesco, serve
como pano de fundo para a expressão da angústia humana, dos
anseios de mudança ou da suspensão desoladora de crenças e
esperanças que, paradoxalmente, levam à euforia e não à
depressão, ao êxtase da sintonia fina da palavra,
conforme o autor já definiu a arte poética.
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"O
Nordeste nos dá, mais uma vez, depois do paraibano
Augusto dos Anjos (presente de modo subliminar na
atmosfera de várias passagens de Yacala), do alagoano
Jorge de Lima e dos pernambucanos Carlos Pena Filho e João
Cabral, a sua lição de dor que se faz beleza e arranca
de si forças para construir uma poesia como a de Alberto
da Cunha Melo, cujo nome secreto é resistência."
(Prefácio da edição fac-simille do livro YACALA,
UFRN, Natal, RN, 2000, incluído na obra Dois Caminhos
e uma Oração)
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Meditação sob
os Lajedos 2002; quarto lugar do Prêmio Portugal Telecom
de Literatura Brasileira 2003. |
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Oração pelo
Poema, 1969. Clique na capa e leia um fragmento do poema
editado na Plataforma para a Poesia. Ou leia todo o poema na
home page do poeta. Clique
aqui. |
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copyright
revista Continente Multicultural, coluna Marco Zero.
Recife: n. 53, abril de 2005, ilustração de Bueno.
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Um dos mais importantes poetas líricos da antiguidade grega, Simônides de Ceos (556aC – 408aC), dizem alguns historiadores, foi o primeiro poeta do Ocidente a receber encomenda de poemas e cobrar por eles, arriscando ser chamado de mercenário. O costume era o poeta ser algo como ilustre agregado de um rei, um príncipe ou um nobre, que o tratava regiamente. Simônides fazia muito bem, pois nos festivais dedicados a Apolo e a outros deuses, os poetas vencedores recebiam na cabeça uma coroa de louros e nada de dinheiro. Com o tempo, a coroa murchava e não podia sequer ser vendida no ferro-velho, caso existisse. Num dos seus livros, Décio Pignatari lembra que Ovídio (43aC – 18aC), grande poeta latino, dizia que a coroa de louros só servia mesmo “para temperar arroz”.
Se realmente Simônides foi o primeiro poeta ocidental a cobrar por suas produções, pode ter sido um dos precursores da Economia da Cultura. Mas, esta, enquanto disciplina ou estudo sistemático, teve o seu surgimento na segunda metade do século passado. E quem nos informa isso é o mestre Celso Furtado, até hoje o melhor ministro da cultura que tivemos nesta equivocada Nova República. É uma pena que só tenha ficado no cargo durante dois anos (1986 a 1988), pois a Lei de Incentivos Fiscais à Cultura foi promulgada em sua gestão (a chamada Lei Sarney) e criou ainda, no Ministério, o Instituto de Promoção Cultural, para estudar as dimensões econômicas das atividades culturais. Ele inaugurou um processo de racionalidade no setor que os seus sucessores vêm matando de inanição. Em um dos seminários promovidos por aquele Instituto, o criador da Sudene disse: –“Para pensar a cultura como dimensão da sociedade, como aspecto de um processo produtivo, é necessário penetrar num campo conceitual pouco explorado, que é o da Economia da Cultura. Todo mundo fala sobre isso vagamente, mas muito pouco trabalho conceitual e sistemático foi realizado. É essa uma problemática que emergiu a partir dos anos 70”.
No último ano de sua gestão (2002), Francisco Weffort encomendou, milagrosamente, para o Ministério, um levantamento à Fundação João Pinheiro (Diagnóstico dos Investimentos na Cultura do Brasil), correspondente ao período de 10 anos (1985-1995), quando se constatou que para cada R$ 1 milhão investido na cultura geraram-se 160 postos de trabalho.
Vejam só, meus milhões de leitores: no setor terciário da economia, o investimento cultural cria empregos mais baratos do que o de outros setores, e não se entende por que o Ministério da Cultura é o que recebe a menor dotação orçamentária, sempre abaixo de 1%. Tenho aqui um recorte do jornal O Globo, de março de 2001, informando que o carnaval do Rio, financiado pelos bicheiros (dizem...) cria 60 mil empregos permanentes “um ano inteiro”. Ora, os empresários e os banqueiros não têm entre suas metas criar emprego, pois se assim fosse, com o nosso dinamismo cultural, teríamos talvez a menor taxa de desemprego do continente. Quem tem como meta criar empregos são os governos, mas contraditoriamente reservam para cultura só uma migalha. Não se esqueçam de que não estamos nos States onde (guardei este dado), em 1993, a indústria cinematográfica faturou nada menos que CR$ 60 bilhões, mais dinheiro que todas as nossas exportações naquele ano. Quantos empregos não terá gerado apenas o cinema ianque, entre provisórios e permanentes? Esse é o primeiro dado econômico que me interessa, porque significa pirão na mesa e menos criminalidade.
Outro estudo encomendado à Fundação João Pinheiro, pelo MinC (gestão de Celso Furtado), declara que “as indústrias culturais, enquanto espaços individualizados de acumulação de capital, possibilitam mais integração de políticas culturais no conjunto das políticas econômicas”. Ver a economia da cultura como parte do todo econômico, numa época de ouro, como a nossa, para a evolução de todos os tipos de indústria cultural ou cultura de massa, é agir com realismo sem qualquer ranço de mecenato. Caso as equipes econômicas se apercebessem do fato de que o investimento cultural tem alto retorno para o Estado, na formação de empregos, na arrecadação de impostos ou na divulgação institucional positiva da imagem do país no exterior, não tratariam a pão e água o Ministério da Cultura. Como já aconteceu em alguns Estados, mas como o objetivo de reduzir e não aumentar os investimentos, os Ministérios do Turismo e da Cultura deveriam ser mais dotados com as fatias do orçamento e trabalharem mais articuladamente.
As atividades culturais, seja como suporte publicitário para refrigerantes e outros produtos de grande consumo, seja até mesmo como forma de ampliação de público, poderiam aliar-se a atividades esportivas, como o basquete, o vôlei e, principalmente, o futebol, não como aqueles chatos desfiles de cheer leaders dos estádios norte-americanos, antes dos jogos, mas como shows de música popular brasileira, espetáculos de dança, de humor e outros. O que é importante mesmo, é convencer os patrocinadores privados, com seus óbvios interesses de retorno, de que existem desaproveitados muitos espaços para aliar um produto nobre, como a arte, a seus sabões e maioneses, para valorizá-los.
Quanto à minha tribo, a dos poetas, ela parece só vender pesadelos, que não interessam aos públicos esportivos, por exemplo. Mas falo da tribo dos poetas estigmatizados de eruditos, e não da tribo dos poetas repentistas do Nordeste. Eles nasceram para os palcos, e alguns tocam maravilhosamente bem sua violas. Parece até que estou vendo o desafio de dois violeiros, antes de um Fla-Flu, no Maracanã, um escrachando o Flamengo e outro esculhambando o Fluminense. Vai lá um mote para eles glosarem:
Fla-Flu jogando é fogueira,
É som de brasas, é guerra.
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Sobre
Alberto, encontram-se verbetes no Dicionário Biobibliográfico
de Poetas Pernambucanos (CEPE, Recife, 1993), na Enciclopédia
VERBO das Literaturas de Língua Portuguesa. (ed. Verbo, Lisboa/São
Paulo, 1999) e na Enciclopédia de Literatura Brasileira
(Global Editora, São Paulo, 2001).
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| Saiba
mais sobre Alberto da Cunha Melo |
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www.plataforma.paraapoesia.nom.br/albertodacunhamelo.htm |
Clique aqui e acesse a
entrevista exclusiva concedida às Trilhas Literárias |
| Entrevistadores:
Alcir Pécora, Alfredo
Bosi, Anderson Braga Horta, Astier Basílio, Deonísio da Silva,
Domingos Alexandre, Eduardo Martins, Ermelinda Ferreira, Evandro
Affonso Ferreira, Isabel Moliterno, Ivan Junqueira, Ivo Barroso,
José Nêumanne Pinto, Mário Hélio, Martim Vasques da Cunha |
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