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Deonísio da Silva

Todas as terças-feiras no Jornal do Brasil

Deonísio é Mestre em Letras (UFRS) e Doutor em Literatura Brasileira  (USP). Mantém colunas semanais no Jornal do Brasil, na revista Caras e no Observatório da Imprensa. Dirige o Instituto da Palavra, da Universidade Estácio de Sá - RJ

 

 

 

Doutores sem livros


Ilhas de exceção, denominados centros de excelência em classificação oficial, compõem um vasto arquipélago

copyright Jornal do Brasil - RJ - 03/02/2004

       

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"‘O poeta e tradutor irlandês John Lyons, também doutor em letras, está traduzindo para o inglês o romance Teresa, do catarinense Deonísio da Silva, (São Paulo, Editora Mandarim, 1997), baseado na vida de Teresa dÁvila, que viveu na Espanha, no século XVI, o chamado século de ouro."
DE ONDE VÊM AS PALAVRAS - Adriana Cornachione - "Teresa, de Deonísio da Silva, agora fala Inglês", copyright Agência Mais Interior (www.maisinterior.com.br), 24/11/04

 

OBRAS

Exposição de Motivos (1976); Cenas Indecorosas (1978); A Mesa dos Inocentes (1978); A Mulher Silenciosa (1981); Livrai-me das Tentações (1984); A Cidade dos Padres (1986); Orelhas de Aluguel (1987); Avante, Soldados: para trás (1992); O Assassinato do Presidente (1994); Ao Entardecer ele Abraçava as Árvores (1995); Teresa (1997); Os Guerreiros do Campo (2000).

De onde vêm as Palavras - 14ª edição

Editora A Girafa

 

 

 

 

 

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            Há vários lustros, para não dizer décadas, o livro vem deixando de ser referência solar nas universidades. Dois problemas se agigantam: os acervos das bibliotecas estão desatualizados e os autores são esquartejados incessantemente em máquinas que copiam fragmentos esparsos que os alunos lêem apenas para atender a chamada bibliografia mínima indicada pelo professores.

          Há vários lustros, para não dizer décadas, o livro vem deixando de ser referência solar nas universidades. Dois problemas se agigantam: os acervos das bibliotecas estão desatualizados e os autores são esquartejados incessantemente em máquinas que copiam fragmentos esparsos que os alunos lêem apenas para atender a chamada bibliografia mínima indicada pelo professores.

       Ilhas de exceção, denominados centros de excelência em classificação oficial, compõem um vasto arquipélago, entretanto ainda sem a influência que dele se espera nesta fase de reorganização que o Brasil vive, assolado por tantas reformas.

       Refletia sobre o tema quando recebi pela internet um sinal dos tempos. Poemas de alta qualidade, selecionados do que de melhor os poetas escreveram, recitados sob fundo musical dos mais apropriados. A internet está oferecendo caminhos novos para o livro. (Um deles: www.plataforma.paraapoesia.nom.br).

        Logo na abertura do portal, talvez porque os autores foram postos em ordem alfabética, encontrei estes versos de Alberto Cunha Melo, extraídos de Dois Caminhos e uma Oração (editora A Girafa), seu livro mais recente, na voz delicada e bonita de Cláudia Cordeiro Reis: ''Escrevemos cada vez mais para um mundo cada vez menos,/ para esse público dos ermos, composto apenas de nós mesmos,/ uns joões batistas a pregar para as dobras de suas túnicas, seu deserto particular''.

            No Brasil, é assim: nem bem você se entristece com um problema, alegra-se em seguida com a possibilidade de solução. Contente por encontrá-la, enfrenta entraves que parecem outra vez intransponíveis. Talvez seja esta uma das causas fundamentais da conhecida oscilação do humor nacional. Não é necessário muito tempo para o brasileiro passar da euforia mais escandalosa à mais desoladora depressão.

           O vestibular oferece-nos todos os anos um cenário privilegiado para as reflexões sobre ''a função do intelectual numa sociedade de classes'', aliás, belo título de um livrinho precioso do jornalista gaúcho Jefferson Barros, precocemente falecido na década passada, um autodidata convicto, que encantava platéias universitárias.

            Ninguém podia negar o óbvio: ele jamais tinha feito um curso superior, mas deslumbrava professores e alunos com um saber de leituras feito. Sem obrigação de ler nada, lia muito; em contraponto com as platéias às quais se dirigia, que tinham obrigação de ler muito e liam pouco. Jefferson Barros não era doutor em coisa alguma. Modelo de jornalista, procurava conhecer o tema sobre o qual ia escrever.

           Apreensivo com o que faziam duas faculdades de Direito, instaladas no Rio em fins do século 19, Olavo Bilac escrevia em 1893: ''Começaram a sair das duas bacharéis a granel, como ninhada de ratos''.

          Um caixeiro de botequim pede um dia ao poeta que lhe escreva uma carta à família. Um ano depois encontra a mesma pessoa num júri, ''na tribuna da defesa, agitando gravemente no ar a mão espalmada, em cujo indicador fuzilava um formoso rubi''.

            E ironiza a duração dos cursos que criticava: ''Eu já vim de Ouro Preto aqui em 14 horas, porque vim pela estrada de ferro. Tiradentes veio em mais de dois meses, porque veio a pé. Deixamos por isso de fazer a mesma viagem?''

              A melhor viagem é a do livro. Novos caminhos precisam ser abertos para reconduzir os brasileiros à leitura. Nas escolas e nas universidades, mas também fora delas. A democracia não será consolidada, se praticada apenas com o voto. Precisamos recuperar o valor e a função social da palavra, ouvida, falada, escrita, lida. Com efeito, temos o segundo mercado editorial das Américas, mas também neste campo nossas desigualdades são devastadoras.

 
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CD Plataforma para a Poesia - Poemas Indispensáveis - Apresentação de Deonísio da Silva 

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