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"‘O poeta e tradutor irlandês John Lyons, também doutor em letras, está traduzindo para o inglês o romance Teresa, do catarinense Deonísio da Silva, (São Paulo, Editora Mandarim, 1997), baseado na vida de Teresa dÁvila, que viveu na Espanha, no século XVI, o chamado século de ouro."
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DE
ONDE VÊM AS PALAVRAS - Adriana
Cornachione - "Teresa, de Deonísio da Silva, agora fala Inglês", copyright Agência Mais Interior (www.maisinterior.com.br), 24/11/04
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OBRAS
Exposição de Motivos
(1976); Cenas Indecorosas (1978); A Mesa dos Inocentes (1978); A
Mulher Silenciosa (1981); Livrai-me das Tentações (1984); A
Cidade dos Padres (1986); Orelhas de Aluguel (1987); Avante,
Soldados: para trás (1992); O Assassinato do Presidente (1994);
Ao Entardecer ele Abraçava as Árvores (1995); Teresa (1997);
Os Guerreiros do Campo (2000). |
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De onde vêm as Palavras - 14ª
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Editora A Girafa |
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Há vários lustros, para não dizer décadas, o livro vem deixando de
ser referência solar nas universidades. Dois problemas se agigantam: os
acervos das bibliotecas estão desatualizados e os autores são
esquartejados incessantemente em máquinas que copiam fragmentos
esparsos que os alunos lêem apenas para atender a chamada bibliografia
mínima indicada pelo professores.
Há vários lustros, para não dizer décadas, o livro vem deixando de
ser referência solar nas universidades. Dois problemas se agigantam:
os acervos das bibliotecas estão desatualizados e os autores são
esquartejados incessantemente em máquinas que copiam fragmentos
esparsos que os alunos lêem apenas para atender a chamada
bibliografia mínima indicada pelo professores.
Ilhas de exceção, denominados
centros de excelência em classificação oficial, compõem um vasto
arquipélago, entretanto ainda sem a influência que dele se espera
nesta fase de reorganização que o Brasil vive, assolado por tantas
reformas.
Refletia sobre o tema quando
recebi pela internet um sinal dos tempos. Poemas de alta qualidade,
selecionados do que de melhor os poetas escreveram, recitados sob
fundo musical dos mais apropriados. A internet está oferecendo
caminhos novos para o livro. (Um deles: www.plataforma.paraapoesia.nom.br).
Logo na abertura do portal,
talvez porque os autores foram postos em ordem alfabética, encontrei
estes versos de Alberto Cunha Melo, extraídos de Dois Caminhos e uma
Oração (editora A Girafa), seu livro mais recente, na voz delicada e
bonita de Cláudia Cordeiro Reis: ''Escrevemos cada vez mais para um
mundo cada vez menos,/ para esse público dos ermos, composto apenas
de nós mesmos,/ uns joões batistas a pregar para as dobras de suas túnicas,
seu deserto particular''.
No
Brasil, é assim: nem bem você se entristece com um problema,
alegra-se em seguida com a possibilidade de solução. Contente por
encontrá-la, enfrenta entraves que parecem outra vez intransponíveis.
Talvez seja esta uma das causas fundamentais da conhecida oscilação
do humor nacional. Não é necessário muito tempo para o brasileiro
passar da euforia mais escandalosa à mais desoladora depressão.
O
vestibular oferece-nos todos os anos um cenário privilegiado para as
reflexões sobre ''a função do intelectual numa sociedade de
classes'', aliás, belo título de um livrinho precioso do jornalista
gaúcho Jefferson Barros, precocemente falecido na década passada, um
autodidata convicto, que encantava platéias universitárias.
Ninguém podia negar o óbvio: ele jamais tinha feito um curso
superior, mas deslumbrava professores e alunos com um saber de
leituras feito. Sem obrigação de ler nada, lia muito; em contraponto
com as platéias às quais se dirigia, que tinham obrigação de ler
muito e liam pouco. Jefferson Barros não era doutor em coisa alguma.
Modelo de jornalista, procurava conhecer o tema sobre o qual ia
escrever.
Apreensivo com o que faziam duas faculdades de Direito, instaladas no
Rio em fins do século 19, Olavo Bilac escrevia em 1893: ''Começaram
a sair das duas bacharéis a granel, como ninhada de ratos''.
Um caixeiro de
botequim pede um dia ao poeta que lhe escreva uma carta à família.
Um ano depois encontra a mesma pessoa num júri, ''na tribuna da
defesa, agitando gravemente no ar a mão espalmada, em cujo indicador
fuzilava um formoso rubi''.
E
ironiza a duração dos cursos que criticava: ''Eu já vim de Ouro
Preto aqui em 14 horas, porque vim pela estrada de ferro. Tiradentes
veio em mais de dois meses, porque veio a pé. Deixamos por isso de
fazer a mesma viagem?''
A melhor viagem é a do livro. Novos caminhos precisam ser abertos
para reconduzir os brasileiros à leitura. Nas escolas e nas
universidades, mas também fora delas. A democracia não será
consolidada, se praticada apenas com o voto. Precisamos recuperar o
valor e a função social da palavra, ouvida, falada, escrita, lida.
Com efeito, temos o segundo mercado editorial das Américas, mas também
neste campo nossas desigualdades são devastadoras.
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