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UM
ESCRITOR DE SOPRO DEMOCRÁTICO
Osman
Lins (1924-1978) deixou obra rica e variada, incluindo-se
teatro, ensaios, narrativa de viagem, contos e romances. Seu
trabalho ficcional vem merecendo, nos últimos anos, a atenção
da crítica especializada, especialmente nas universidades do
país (com dissertações e teses), enfocando-se os mais
diversos e complexos problemas dessa produção.
Osman Lins completaria 80 anos em julho de 2004. Sua morte
precoce interrompeu uma linhagem literária das mais
consistentes e originais da segunda metade do século XX no
Brasil. A repercussão estrangeira dessa obra reforça seu
interesse bastante amplo, com traduções e publicações em
diversas línguas e diferentes países.
Este volume, organizado por Hugo Almeida - dedicado estudioso
de Osman Lins nos anos recentes - significa uma contribuição
importante para o conhecimento do grande escritor
pernambucano. É uma reunião de textos escritos especialmente
para esta edição, pelas mãos de dezoito especialistas,
abordando aspectos relevantes das obras e oferecendo também
dimensões reveladoras da pessoa e do escritor. É um roteiro
e um painel que enriquecem a compreensão de Osman Lins e
convidam os leitores a retomá-lo ou a se iniciarem.
Osman Lins: o sopro na argila bem demonstra o talento e
a importância de um autor que dedicou tenazmente a vida à
atividade de escrever, produzindo uma escrita severa, crítica
e autoconsciente, ao mesmo tempo armada de preocupações estéticas,
sociais e políticas. A alegria de viver e a de escrever
confluem para a dura responsabilidade de produzir arte e
pensamento nos difíceis tempos agônicos da ditadura militar.
A modernização conservadora brasileira, tocada a ferro e
fogo, instala-se, como denúncia da forma artística, sem
nenhum discurso ou concessão populista. Os danos (e a danação)
sofridos pelo homem brasileiro estão visíveis na experimentação
artística.
Este volume, em excelente hora organizado por Hugo Almeida, é
uma contribuição decisiva para a continuidade do
conhecimento de um autor, cuja obra, no seu modo peculiar e
original, representa nossos impasses e põe em questão os
termos de nossa precária democracia. A literatura, apesar de
tudo, quando radical é a revelação e a leitura de nossas raízes.
O que Osman Lins quis fazer e logrou fazê-lo. (VALENTIM
FACIOLI)
* Conteúdo
Osman Lins: o sopro na argila * Hugo Almeida
Osman Lins: ética na vida e na ficção * Lauro de Oliveira
O tempo na arte, a arte no tempo (Uma leitura de Marinheiro
de primeira viagem) * Sandra Nitrini
O bicho-palavra produzindo fissuras * Ana Luisa Kaminski Kohn
Reciclando o engenho: Osman Lins e as constelações de um
gesto épico * Ana Luiza Andrade
Recepção da obra de Osman Lins pela crítica de língua
francesa e alemã * Gaby Kirsch
Teatro de Osman Lins: breve esquema * Iná Camargo Costa
Osman Lins dramaturgo: no caminho para a história * Maria
Teresa Dias
"Retábulo de Santa Joana Carolina", o palco na
palavra * Marisa Balthasar Soares
"Pentágono de Hahn": o enigma geométrico de Osman
Lins * Marisa Simons
Literatura e arquitetura: o "Retábulo de Santa Joana
Carolina" e a Catedral de Brasília * Adelaide Calhman
Avalovara: precisão e fantasia * Modesto Carone
Avalovara: a espacialização da narrativa * Leny da
Silva Gomes
A dama e o unicórnio: exercícios de imaginação *
Ermelinda Ferreira
O mundo sem aspas * José Paulo Paes
Osman Lins: o escritor-leitor de A rainha dos cárceres da
Grécia * Maria do Carmo Lanna Figueiredo
As cidades em A rainha dos cárceres da Grécia *
Ronaldo Costa Fernandes
Representação e autoritarismo em A rainha dos cárceres da
Grécia * Claudia Caimi
Osman Lins - Jorge Luis Borges, encruzilhadas e bifurcações
* Graciela Cariello
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