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Alberto
da Cunha Melo |
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2.0 A OBRA POÉTICA – UMA GEOGRAFIA ESPACIO-TEMPORAL |
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(Fragmento
do ensaio Faces da Resistência na Poesia de Alberto da
Cunha Melo. Recife: Edições Bagaço, 2003) |
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| Cláudia
Cordeiro
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Uma
coisa é encerrar o texto na sua contingência imediata
[...] Outra coisa é vazar os muros de um cronologismo
apertado, e ler a obra do poeta à luz da história da consciência humana, que não é nem estática nem
homogênea,
pois traz em si os trabalhos da memória e as contradições
do pensamento crítico. (BOSI, 2000,p.13)
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Abrimos este capítulo a fim de permitir uma visão abrangente da obra poética
publicada de Alberto da Cunha Melo – doze títulos. A
contextualização histórico-literária, aqui, se
restringe ao tempo histórico limitado às fronteiras
brasileiras. Não terá, portanto,
a “luz da consciência humana”, a universalidade dessa
“consciência” no tempo que nos intui Alfredo Bosi
(2000, p. 13). Mas se aproxima um pouco dessa perspectiva,
uma vez que será acompanhada de perfis estéticos que se
pretendem a síntese de alguns dos críticos e
articulistas que se debruçaram sobre a obra do autor.
Mesmo assim oferece apenas uma visão horizontal da
obra completa e não uma análise vertical de cada um dos
seus livros. Mas esse percurso pretende somar recursos
para configurar as faces do poliedro denso e intumescido
de vida que é a poesia de Alberto da Cunha Melo. Faremos
algumas anotações pertinentes, em relação a aspectos
gerais de cada um deles, como a recepção que tiveram nos
meios intelectuais e jornalísticos, principalmente, além
do metro adotado e a temática predominante, entre outras.
Acreditamos, dessa forma, facilitar a compreensão das análises
mais específicas que serão apresentadas nos capítulos
seguintes, no solo da teoria de Alfredo Bosi, sobre
“Poesia-Resistência”.
Foi de fundamental importância, para esta investigação, o livro Soma
dos Sumos (MELO, 1983). Esse livro traz pequenas
amostras dos poemas de cada um dos livros éditos e, dos,
até então (1981), inéditos. Atípico em relação aos
demais – inclusive por ser o único publicado por uma
editora que tem distribuição nacional, a José Olympio
– e, ao mesmo tempo, bibliografia-base deste capítulo,
é ele o objeto da nossa primeira abordagem.
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Figura
7. Capa (a cores) do livro Soma dos
Sumos, publicado em 1983, pela editora José
Olympio, Rio. Formato: 14 x 21 cm, 117 p.,
contendo seleção de diversos livros éditos e inéditos). |
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Há, no exemplar, seleção de poemas dos seguintes livros editados até a
data de publicação, 1983: Poemas a Mão Livre
(1981), Dez Poemas Políticos (1979), Noticiário
(1979), Publicação do Corpo (1974), Oração
pelo Poema (1969), e Círculo Cósmico (1966).
E dos livros inéditos: Poemas 81, Clau, Diário
de Campo, Capoeira das Juremas, e Poemas
Anteriores. Destes, foram publicados, até este ano de
2003, os livros Clau (1992) e Poemas Anteriores
(1989). Os
demais continuam inéditos. Mas foram publicados outros à
época ainda não criados: Carne de Terceira com Poemas
à Mão Livre (1996), Yacala (1999) e Meditação
sob os Lajedos (2002).
Deter-nos-emos apenas nos livros publicados.
Eugênia Menezes (1983, p. XII), no prefácio da edição enuncia:
Neste volume uma seleção de poemas
de onze de seus livros, seis publicados – em sua maioria
por editora alternativa de tiragem reduzida, não tendo
sido lançado nenhum deles em circuito nacional – e
cinco inéditos, poderão ser avaliados a pertinência e o
vigor de sua criação. [...] Os Poemas Finais,
livro também inédito, deixou de ser incluído nesta
amostra porque, segundo determinação de Alberto, deverá
ter publicação póstuma.
Para tornar mais didática a visão abrangente da obra do autor,
procuramos dividi-la em fases.
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